Óbitos de policiais militares em serviço avançam 133%

Número de pessoas mortas por PMs também aumentou desde 2022

Por Cruzeiro do Sul

Utilização de câmeras portáteis por policiais militares no trabalho gera discussão

Mais policiais também têm morrido em serviço, segundo a pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgada ontem. Os dados coletados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) e do Ministério Público mostram aumento de 133% nos óbitos desde 2022.

Conforme o relatório, foram 14 PMs mortos em serviço em 2024, ante 6 em 2022. Houve aumento também na letalidade por agentes de segurança. A recorrência de confrontos e a letalidade policial maior, dizem especialistas, não necessariamente leva ao combate mais eficaz ao crime organizado. Esse cenário pode resultar, na verdade, em risco maior para comunidades dominadas por facções e para os próprios PMs.

“Os policiais não estão utilizando (as câmeras corporais); não existem sanções aos que não utilizam”, destaca Samira Bueno, do Fórum. Para a especialista, quando o agente tem a preocupação de seguir o protocolo, porque está usando a câmera, ele se protege mais. “Ele mata a menos e ele morre menos”, afirma.

Além da flexibilização das câmeras, o relatório produzido pelo Fórum mostra que, entre 2022 e 2024, houve redução em medidas de controle de força policial. Isso, conforme os pesquisadores, também afeta a conduta dos agentes, os colocando em risco.

O número de pessoas mortas por policiais militares em serviço cresceu 61% de 2022 para 2024 em São Paulo, conforme pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e encomendada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). No mesmo período, a letalidade dos batalhões em que os agentes usam câmeras corporais nas fardas foi maior (175%) do que nas unidades em que a tecnologia não foi adotada (129%).

A proporção maior de aumento nos batalhões que usam as body cams, diz o Fórum, reforça que apenas a adoção do equipamento não é suficiente. A medida exige também acompanhamento dos protocolos, compartilhamento das imagens com a Justiça e punições para os agentes que descumpram o uso da câmera. (Estadão Conteúdo)