Cinco PMs são presos em operação contra milícia

Grupo agia na região do Brás, no centro da cidade de São Paulo

Por Cruzeiro do Sul

Ministério Público apura extorsão contra os comerciantes

Cinco policiais militares foram presos ontem (16) em uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo e das corregedorias da Polícia Militar e da Polícia Civil, a Operação Aurora. Os agentes são suspeitos de envolvimento em um esquema de extorsão a comerciantes na região do Brás, no centro de São Paulo.

A investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público, apontou que os policiais agiam como uma milícia, dividindo o território e exigindo pagamentos de vendedores informais, muitos deles imigrantes.

Quatro suspeitos civis também foram presos, segundo o balanço preliminar da operação. As autoridades ainda buscam localizar um dos policiais militares, uma policial civil e outros quatro civis que teriam participação no esquema.

Esses pagamentos eram cobrados a título de “luva”, em troca de autorização para os comerciantes se instalarem na região, e também semanalmente.

Conhecida pelo comércio de vestuário, a região do Brás tem alto índice de informalidade. Segundo o MP, como não têm acesso a linhas de crédito, os comerciantes de região pegavam dinheiro emprestado com agiotas para pagar os policiais e, muitas vezes, esses próprios agentes eram contratados para fazer as cobranças

Testemunhas ouvidas na investigação relataram que os comerciantes que não pagam o valor cobrado são ameaçados de morte, agredidos e retirados dos pontos de venda.

O inquérito foi aberto a partir de denúncias recebidas pela Corregedoria da PM. Os investigadores circularam à paisana no Brás por semanas, para colher provas. Diversas cobranças foram flagradas durante as ações de monitoramento, tanto nos boxes quanto em barracas na rua. (Estadão Conteúdo)