Para especialistas, decisão de abolir as máscaras foi precoce
Especialistas entrevistados pelo Estadão consideram precipitada a decisão do governo de São Paulo de acabar com o uso obrigatório de máscaras na maioria dos ambientes fechados. A avaliação é que o País segue em uma situação de risco diante da chegada da variante Deltacron, com apenas cerca de 50% da população com a dose de reforço e lentidão no avanço da vacinação contra Covid-19 das crianças.
A infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, que integra o comitê científico montado pelo governo para orientar as medidas sanitárias, vê a decisão como “prematura” e que a mensagem deveria ser mais cautelosa. “É prematuro abandonar máscaras nas escolas”, exemplifica.
“Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso olharia para esse cenário e chegaria à conclusão de que não é a hora de abandonar as poucas medidas de proteção que temos. Agora, estamos no momento de respiro, mas ao invés de estarmos nos preparando para nos solidificar quando vier uma próxima onda, estamos relaxando o pouco que temos”, avalia Denise Garrett, médica epidemiologista e vice-presidente do Instituto Sabin de Vacina.
O infectologista Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, pesquisador epidemiologista da Unesp, até se considera um otimista, mas também não acredita que seja o momento para medidas menos restritivas. “As flexibilizações ainda são precoces e desnecessárias, principalmente no uso de máscara e em lugares fechados. Isso nos deixa mais vulneráveis”, aponta.
Ao anunciar o fim do uso de máscaras obrigatório, o governador João Doria (PSDB) citou que a decisão foi referendada pelos integrantes do comitê, liderado pelo médico Paulo Menezes. (Estadão Conteúdo)