Turquia confirma ofensiva na Síria com dois aviões abatidos

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An image grab taken from a video released on March 1, 2020, by the Turkish Defence Ministry shows an airstrike by the Turkish on Syrian regime positions. Syria's army Sunday downed a Turkish drone over northwest Syria after it threatened "enemy" aircraft violating its airspace over deadly Turkish drone strikes, state media said. State news agency SANA said the unmanned aircraft was shot down near the town of Saraqeb, publishing footage of the alleged plane tumbling down from the skies in flames. - RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO /TURKISH DEFENCE MINISTRY " - NO MARKETING - NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS / AFP / TURKISH DEFENCE MINISTRY / Handout / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO /TURKISH DEFENCE MINISTRY " - NO MARKETING - NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS

Dois aviões de regime sírio e um drone turco foram abatidos em Idlib neste domingo. Crédito da foto AFP

 

 

A Turquia confirmou, neste domingo (1), o lançamento de uma grande ofensiva militar contra o regime sírio, que teve dois de seus aviões abatidos, enquanto mantém a pressão sobre a Europa, deixando milhares de migrantes passarem para a Grécia.

Após semanas de escalada na região de Idlib, no noroeste da Síria, Ancara anunciou a operação "Escudo da Primavera" contra o regime de Bashar al-Assad, que sofreu pesadas perdas nos ataques turcos nos últimos dias.

Sinal da intensificação dos combates, dois aviões de regime sírio e um drone turco foram abatidos em Idlib neste domingo, informaram Ancara e o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Em busca de apoio ocidental, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan abriu as portas da Europa aos migrantes que, aos milhares, continuavam a se dirigir à fronteira grega. À medida que a situação na Síria se complica, o ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, enfatizou que Ancara não busca um confronto com Moscou, poderoso aliado do regime sírio.

O objetivo da ofensiva turca, segundo ele, é "acabar com os massacres do regime e impedir uma onda migratória". A Turquia multiplicou desde sábado os ataques com drones contra posições do regime sírio, mas é a primeira vez que anuncia oficialmente uma operação mais ampla.

Tensões russo-turcas

A operação foi lançada na quinta-feira após a morte de 33 soldados turcos em ataques aéreos atribuídos ao regime, as maiores perdas sofridas por Ancara desde o início de sua intervenção na Síria em 2016.

Na sexta e no sábado, quase 90 soldados e combatentes de grupos aliados a Damasco foram mortos em ataques turcos, segundo o OSDH. Nesse clima volátil, o exército sírio alertou neste domingo que abateria qualquer aeronave "inimiga" na região de Idlib. Com o apoio da força aérea russa, o regime sírio conduz desde dezembro uma ofensiva para retomar a região, a última fortaleza rebelde e jihadista na Síria.

Tensão entre Rússia e Turquia

Essa ofensiva causou atrito entre Ancara e Moscou. Embora a Turquia apoie certos grupos rebeldes e a Rússia apoie o regime, os dois países vêm fortalecendo sua cooperação nos últimos anos.

No sábado, o presidente Erdogan pediu ao russo Vladimir Putin que "saia do caminho" da Turquia na Síria e garantiu que o regime de Damasco "pagará o preço" por seus ataques. Neste domingo, a situação pareceu se acalmar quando o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que os presidentes russo e turco poderão se encontrar na quinta ou na sexta-feira.

"Sem dúvida será uma reunião complicada, mas ambos os chefes de Estado concordam com a necessidade de acertar a situação em Idlib", disse Peskov. Nesse contexto de tensões, o editor e três colaboradores na Turquia do veículo de comunicação russo Sputnik, financiado pelo Kremlin, foram detidos pelas autoridades turcas e liberados nesse domingo após conversa no telefone entre os chanceleres de Moscou e Ancara.

O editor-chefe do Sputnik Turquia, Mahir Boztepe, "foi libertado depois de comparecer na sede da polícia de Istambul", afirmou a agência russa em seu site. A agência de imprensa estatal turca Anadolu informou que Boztepe foi preso no contexto de uma investigação por "insultar a nação turca e o Estado turco" e "violação da unidade do Estado e da integridade do país".

A escalada em Idlib suscita temores da comunidade internacional, em vista de uma situação humanitária catastrófica. Com a entrada de refugiados pelas fronteiras de Grécia e Bulgária, a União Europeia convocou uma reunião de emergência de ministros das Relações Exteriores, segundo o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

Desde dezembro, quase um milhão de pessoas foram deslocadas nessa região, um êxodo de escala sem precedentes em tão pouco tempo desde o início, em 2011, da guerra que já matou mais de 380.000 pessoas. (Gokan Gunes - AFP)