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Paleontólogos encontram mais um osso em santuário de dinossauros na França

29 de Julho de 2019 às 13:22

osso de dinossauro Maxime Lasseron inspeciona o fêmur de dinossauro de 2 metros e 400 quilos. Crédito da foto: Georges Gobet / AFP (24/7/2019)

Para a sua décima campanha de escavação, uma equipe de paleontólogos de Angeac-Charente, no sudoeste da França, encontrou mais um osso. Trata-se de um colossal fêmur de dinossauro de 2 metros e 400 quilos, em muito bom estado apesar de seus 140 milhões de anos.

“É um belo presente de aniversário”, sorri Jean-François Tournepiche, curador do museu da cidade de Angoulême (sudoeste) e coordenador das operações em “um dos maiores sítios de dinossauros da Europa”.

Foi a descoberta em 2010 de um fêmur de saurópode, herbívoro gigante e quadrúpede, que trouxe a reputação deste local “único”, joia do Cretáceo, entre as cidades de Cognac e Angoulême, perto do rio Charente.

Desde o início das escavações, Angeac é um depósito inesgotável: cerca de 7.000 peças e 70.000 fragmentos descobertos em mais de 750 m2, segundo Ronan Allain, paleontólogo do Museu Nacional de História Natural de Paris. “Está cheio de ossos”, comemora o especialista francês em dinossauros.

Ele gosta de comparar o sítio a uma “cena de crime” que deve ser analisada cuidadosamente como em uma “investigação policial”. Uma investigação que não está pronta para ser concluída visto a riqueza do local.

Em Angeac, todo um ecossistema aparece, graças às ações precisas e atentas de 40 pessoas, voluntários, estudantes e profissionais: vegetação, invertebrados e 45 espécies de vertebrados, incluindo de vários dinossauros, entre eles os últimos estegossauro conhecidos e ornitomimossauros (dinossauro-avestruz), para não mencionar o saurópode gigante.

O osso deveria ser do traseiro de um saurópode. Crédito da foto: Georges Gobet (29/7/2019)

Há 140 milhões de anos, era um ambiente subtropical muito úmido, “um pouco parecido com os pântanos do sul dos Estados Unidos”, diz Tournepiche. “Havia um rio e grandes coníferas”, acrescenta Allain.

“Anfíbios, crocodilos, tartarugas e peixes viviam neste pântano. Em terra, grandes e pequenos dinossauros. Era um local ao vivo”. Graças a análises em laboratório, a ciência ajudará a reconstruir o ‘enorme quebra-cabeça‘. ‘Mas ainda é preciso reunir todas as peças‘, diz Tournepiche.

‘Verdadeiro tesouro nacional’

A mais recente descoberta, um fêmur esquerdo, é ainda mais notável por ser consistente com outros ossos grandes encontrados próximos em um conjunto - ainda incompleto - que é “provavelmente” o traseiro de um saurópode, uma fera “que deveria ter cerca de 30 metros de comprimento”, segundo Allain. “Maior e mais robusto do que um diplodocus”, diz Tournepiche.

A agradável surpresa aconteceu em meados de julho, quando um jovem doutorando, Maxime Lasseron, encontrou a ponta de um “pedaço de osso” que se revelaria o fêmur monumental.

Ele parecia a princípio um pouco danificado. “Com os outros, ficamos imaginando quando veríamos o fim, dissemos a nós mesmos: ’Oh, ainda tem mais! O que é esse osso? Tomara que esteja inteiro!’”. “Me custou caro, porque eu prometi champanhe se estivesse inteiro”, brinca Jean-François Tournepiche.

Este fêmur “é verdadeiramente único dada sua qualidade de preservação, sua perfeita fossilização”, explica Ronan Allain. “Será mais relevante em nível científico” do que o de 2010.

Comparando os dois fêmures, diz o paleontólogo, poderemos determinar se é do mesmo animal, ou do mesmo tipo de saurópode, se eram contemporâneos, se viviam juntos. E, analisando essa “parte traseira”, “poderemos reconstituir a massa muscular do animal, estudar o modo como ela se movia”, acrescenta Tournepiche.

O sítio de Angeac é um “verdadeiro tesouro nacional” que já foi bastante vasculhado, mas, agora, Ronan Allain “sonha secretamente” encontrar elementos do esqueleto de um dinossauro carnívoro.

Essa missão pode ser bem-sucedida, porque a vida deste sítio acaba de ser estendida. As pedreiras de Audouin, proprietárias do local, ofereceram aos paleontólogos mais 4.000 m2 para escavar. “Um segundo presente de aniversário nos nossos dez anos”, sorri Jean-François Tournepiche. “Estaremos ocupados por mais 30 anos!”, completou. (AFP)

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