Exterior

Mais de 40 migrantes morrem em ataque a centro de detenção na Líbia

O balanço do atentado é de pelo menos 44 mortos e mais de 130 feridos
Ataque destruiu um centro de detenção na periferia de Trípoli e deixou mortos e feridos. Crédito da foto: Mahmud Turkia/ AFP

Mais de 40 migrantes foram mortos em um bombardeio contra um centro de detenção na periferia de Trípoli, um ataque atribuído às forças do marechal Khalifa Haftar e que provocou duras condenações internacionais.

O ataque “pode claramente constituir um crime de guerra”, disse nesta quarta-feira (3) o enviado da ONU na Líbia, Ghassan Salamé. “Matou (…) pessoas inocentes forçadas a estar neste refúgio por causa de suas condições de vida pavorosas”, acrescentou ele em um comunicado.

Na terça-feira à noite, um ataque aéreo fez um buraco de cerca de três metros de diâmetro no centro desse hangar em Tajura, na periferia leste de Trípoli. Numerosos corpos jaziam no chão, segundo um fotógrafo da AFP.

De acordo com um comunicado da Missão de Apoio da ONU à Líbia (MANUL), no qual Ghassan Salamé foi citado, o balanço desse ataque é de “pelo menos 44 migrantes” mortos e mais de “130 gravemente feridos”. “Esse ignóbil e sangrento massacre é uma das consequência mais terríveis e trágicas do absurdo dessa guerra”, acrescentou Salamé.

O enviado da ONU apelou à comunidade internacional para “condenar este crime e impor sanções apropriadas aos autores desta operação em flagrante violação” dos direitos humanos. É a segunda vez que esse centro de migrantes de Tajura, onde vivem mais de 600 pessoas, é atingido desde que o marechal Khalifa Haftar, homem forte do leste do país, lançou uma ofensiva em abril para controlar a capital.

Em um comunicado, o Governo de União Nacional (GNA), com sede em Trípoli e reconhecido pela ONU, denunciou o que chamou de “crime odioso” e o atribuiu “ao criminoso de guerra Khalifa Haftar”.  Em sua nota, o GNA acusou as tropas de Haftar de terem cometido um ataque “premeditado” e “preciso” contra o centro de migrantes.

A autoria do ataque não foi reivindicada, mas a mídia que apoia Haftar mencionou a iminência de uma “série de ataques aéreos” na área de Trípoli e Tajura, onde o centro de migrantes está localizado. Em Tajura, ficam vários centros militares controlados pelo governo.

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“Investigação independente”

O ataque provocou várias reações da comunidade internacional. O alto comissário da ONU para os refugiados (Acnur), Filippo Grandi, advertiu no Twitter sobre “três mensagens-chave: os migrantes e refugiados NÃO podem ser presos, os civis NÃO podem ser alvos, a Líbia NÃO é um lugar seguro para devolver” os migrantes.

“Estamos horrorizados com essas mortes”, disse à AFP Charlie Yaxley, porta-voz do Acnur. O porta-voz expressou a “extrema preocupação” da organização sobre os “rumores” que apontam que o local servia de “depósito de armas”. “Ninguém deveria ser mandado de volta para a Líbia agora”, insistiu ele.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) reagiu no Twitter a “esses terríveis acontecimentos” e pediu a “imediata evacuação dos refugiados e migrantes presos em centros de detenção em Trípoli”.

Agências da ONU e organizações humanitárias reiteraram que os migrantes resgatados do mar não podem ser devolvidos para a Líbia, em função do caos institucional no país. Esta situação se tornou mais crítica desde o início da ofensiva de Haftar para controlar Trípoli. Apesar da constante instabilidade, a Líbia continua sendo um país de trânsito para migrantes que fogem de conflitos armados, ou da instabilidade, em outras regiões da África e do Oriente Médio.

O presidente da comissão da União Africana, Musa Faki Mahamat, “condenou fortemente” o ataque e pediu uma “investigação independente para garantir que os responsáveis pela morte horrível desses civis prestem contas”.

A Itália expressou sua “consternação” e condenou o “bombardeio cego de áreas civis”. “Devemos garantir imediatamente medidas sérias de proteção (…) e, em particular, transferir os migrantes que estão nas instalações de recepção para lugares a salvo dos combates”, alertou o chefe da diplomacia italiana, Enzo Moaver.  (Imed Lamloum – AFP)

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