Exterior

Irã acusa Estados Unidos de prejudicar gravemente sua economia

Após uma onda de sanções americanas em agosto, no mês de novembro outras medidas devem entrar em vigor
Irã
Audiência na Corte Internacional de Justiça (CIJ) – Foto: Jerry Lampen/ANP/AFP

Teerã denunciou nesta segunda-feira (27) a vontade de Washington de prejudicar gravemente a economia iraniana, no início das audiências na Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre o restabelecimento das sanções dos Estados Unidos contra o Irã. As audiências sobre o tema começaram nesta segunda-feira na sede da CIJ, em Haia, e devem durar quatro dias.

“Estados Unidos propagam publicamente uma política cujo objetivo é prejudicar o mais gravemente possível a economia iraniana, e as empresas e cidadão iranianos”, afirmou o conselheiro jurídico e representante da delegação da República Islâmica, Mohsen Mohebi. Diante dos 15 juízes da CIJ – principal órgão judicial da ONU – a delegação do Irã, que apresentou a demanda em julho, defende a suspensão das novas sanções americanas, que têm consequências dramáticas para a economia iraniana.

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Em maio, o presidente americano Donald Trump retirou seu país do acordo nuclear assinado pelo Irã e as grandes potências em 2015, no qual República Islâmica se comprometeu a não produzir armamento atômico. Em troca, o país foi beneficiado por uma retirada progressiva das sanções internacionais. Mas a saída de Washington do acordo representou o retorno das duras sanções americanas contra o Irã.

Teerã deseja com a nova batalha judicial na CIJ “encerrar de modo imediato” estas medidas. A República Islâmica pede ao tribunal a suspensão temporária das sanções, antes que os juízes se pronunciem posteriormente sobre o mérito do caso. O governo iraniano afirma que as ações americana violam diversos dispositivos do tratado Irã-EUA de 1955.

O texto, que não é muito conhecido, prevê “relações amistosas” entre as duas nações e respalda os intercâmbios comerciais. Irã e Estados Unidos, no entanto, não mantêm relações diplomáticas desde 1980. Donald Trump considera que as sanções têm como objetivo “aumentar a pressão” sobre o regime iraniano para que mude de comportamento, especialmente no que diz respeito a suas ambições nucleares. Trump disse, no entanto, estar “aberto” a um novo acordo sobre o programa nuclear com o Irã.

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Mas o guia supremo iraniano, Ali Khamenei, declarou há alguns dias que “não haverá guerra, nem negociações com os Estados Unidos”. A CIJ deve se pronunciar sobre o fim provisório das sanções nos dois meses seguintes ao início das audiências. Uma decisão final sobre o caso pode demorar vários anos.

Após uma primeira onda de sanções, lançada no início de agosto, em 5 de novembro outras medidas entrarão em vigor, afetando o setor de petróleo e gás, que desempenha um papel fundamental na economia iraniana. (Charlotte Van Ouwerkerk – AFP)

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