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Ex-premier da Malásia é acusado de corrupção

O ex-primeiro-ministro da Malásia Najib Razak, suspeito de ter desviado milhões de euros de dinheiro público de um fundo soberano, foi formalmente acusado nesta quarta-feira (4) pelo escândalo financeiro que contribuiu para a sua queda. Ele é o primeiro ex-chefe de Governo do país do sudeste asiático a ser levado à justiça. Najib compareceu a um tribunal da capital Kuala Lumpur.

Foram pronunciadas quatro acusações contra Najib, três por abuso de autoridade e uma por corrupção passiva, envolvendo suborno de 42 milhões de ringgit (8,9 milhões de euros), o que pode implicar uma pena de até 20 anos de prisão. Najib, 64 anos, foi colocado em liberdade após o pagamento de fiança. O julgamento está previsto para fevereiro de 2019.

O ex-premier havia sido detido na terça-feira, quando o governo do primeiro-ministro, Mahathir Mohamad, intensificou a investigação sobre a corrupção durante o período de seu antecessor. As acusações estão relacionadas à empresa SRC International, filial do setor energético do 1MDB, o fundo soberano criado por Najib em 2009 e que hoje amarga uma dívida de 10 bilhões de euros.

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O caso contribuiu em grande parte para a derrota, nas legislativas de maio, da coalizão, então liderada por Najib, que governava o país há 61 anos. Enquanto permaneceu no poder, Najib impediu qualquer investigação do escândalo, afastando as vozes críticas do governo a respeito do caso, calando a imprensa ou ordenando a detenção de pessoas que falaram sobre o mesmo.

O ex-premier teria desviado até 640 milhões de euros do fundo, que criou para modernizar a Malásia, país do sudeste asiático com 32 milhões de habitantes, a maioria muçulmanos. Ele nega as acusações. O caso 1MDB está sendo investigado em vários países, incluindo Suíça e Estados Unidos.

“Najib é o primeiro (ex) premiê a ser acusado na história da Malásia”, observou Tian Chua, vice-presidente do partido Keadilan Rakyat, que integra a coalizão que chegou ao poder com as legislativas de maio. “Isto marca uma nova era, na qual nenhum dirigente público ficará isento de ser processado se cometer abuso de poder”.

Em um comunicado divulgado na noite de terça-feira, familiares de Najib consideraram que as denúncias contra o ex-premier eram “politicamente motivadas” e “resultado de uma vingança política” por parte de Mahathir. Na semana passada, o diretor do departamento de polícia para crimes financeiros, Amar Singh, revelou que o valor total dos bens embargados na investigação contra Najib foi de quase 273 milhões de dólares.

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Os bens incluem 28,8 milhões de dólares em espécie, em 26 moedas, quase 12.000 joias, centenas de bolsas de marca e 423 relógios. Rosmah Mansor, mulher de Najib, era muito impopular na Tailândia por seus gastos extravagantes, especialmente em bolsas e roupas de marca.

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