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Brasileiros relatam agressões sofridas na Irlanda: ‘Me bateram por todo o corpo’

Sorocabanos também foram vítimas de um grupo de jovens em Dublin

Brasileiros e imigrantes de outras nacionalidades, principalmente sulamericanos, têm sofrido agressões físicas e verbais em Dublin, na Irlanda. Os ataques são feitos por um grupo minoritário de jovens irlandeses que, geralmente, vive em zonas periféricas da cidade. Esse tipo de situação, conforme relatos feitos no Facebook e entrevistas de sorocabanos ao jornal Cruzeiro do Sul, acontecem com certa frequência, mas chegaram ao estopim nos últimos dias, quando um grupo de entregadores de comida foi provocado e atacado por alguns rapazes em uma via movimentada.

O engenheiro de produção sorocabano, Rubens Franchini Netto, 25, morou em Dublin por nove meses e mudou-se para a Itália no mês passado. Enquanto esteve na cidade europeia, observou e presenciou os ataques promovidos pelo grupo de jovens irlandeses, conhecido pelos imigrantes como “knackers”.

Ele, que trabalhava em um supermercado, disse não ter sofrido tanto, mas teve amigos que passaram por maus bocados. “No supermercado eu tive alguns problemas. Os knackers iam sempre em bando fazer bagunça e sujeira, praticar furtos de chocolates, refrigerantes e atazanar os clientes também. Uma vez, um grupo atacou moedas em mim porque eu tinha a ordem de não servi-los”, conta.

Netto diz que os companheiros de trabalho indianos e africanos tiveram mais problemas. “O segurança era africano e os knackers atacavam ovo nele, sempre falavam palavrão e ofendiam. De vez em quando, chegavam a quebrar o carro dele”, comenta. “Um brasileiro, por ser homossexual, foi espancado na rua e teve que voltar para o Brasil fazer cirurgia plástica”, acrescenta. Um outro brasileiro voltou ao País devido às agressões.

Em relato ao jornal Independent IE, o rapaz, conhecido como Neto, disse que foi atacado pelas costas por cerca de 10 homens. “Eles aparentavam ter entre 17 e 19 anos. Eles me derrubaram com o que parecia ser um taco de baseball. Eu estava usando um capacete, mas, depois da pancada, eu caí no chão e eles me bateram por todo o corpo, com chutes e socos”, afirmou ele, que teve o celular e € 850 roubados e chegou a quebrar o nariz.

Segundo a reportagem do Independent IE, a Gardai, polícia irlandesa, está investigando o incidente envolvendo Neto e adiantou que um homem de 40 anos já havia sido preso.

Quem sabe o que iria acontecer

A reportagem também foi procurada por outro sorocabano, de 28 anos, que preferiu não se identificar para não preocupar os pais que estão no Brasil. Ele relatou situação vivida há algum tempo em Dublin, quando jogava futebol em um time semi-profissional.

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“Quando estava voltando de um treino com um amigo, por volta das 10 da noite, fomos abordados por dois moleques, entre 15 e 18 anos. Eles começaram a zoar e brincar com a gente. Comentei com o colega para irmos embora rápido porque achava que ia dar m*. Então andamos rápido, pegamos uma distância de 50 metros deles e um dos meninos gritou. Quando olhamos, já chegaram mais uns 15 moleques. Começamos a correr e, por sorte, vimos uma obra, entramos nela e pegamos uns pedaços de pau para se defender. Não sou a favor de violência, mas para a nossa sorte a construção estava ali e eles perceberam que íamos nos defender e pararam. Se não fosse a obra, quem sabe o que iria acontecer.”

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) informa que a embaixada em Dublin está ciente e acompanha os casos de agressões a brasileiros. Afirma, também, que “a embaixada contatou as autoridades locais para manifestar a preocupação do Estado brasileiro com as agressões e está em contato com as delegacias locais onde as ocorrências foram feitas. Funcionários do posto também estão prestando toda a assessoria consular cabível.”

 
Colete de uma das vítimas agredidas em Dublin. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Protesto será realizado no sábado

Em um grupo de Facebook composto por brasileiros que vivem em Dublin, o momento enfrentado tem gerado repercussão. “O pior é que isso já é normal, quem nunca trabalhou com delivery e não levou um chute ou levou algum objeto enquanto trabalhava?! É extremamente revoltante como esses moleques atacam sem motivo algum e sem pensar em consequência nenhuma, uma vez que estamos numa bike no meio da rua podendo ser atropelados e acontecer algo pior. É ridículo isso que acontece em Dublin. E adivinha como isso vai acabar? Quando morrer alguém, seja um rider (entregador) ou um desses moleques”, escreveu um participante.

Um membro do grupo também desabafou: “E aí, galera? Quando vamos fazer algo? Todo dia vamos sofrer alguma coisa aqui?  No último mês eu apanhei de quinze. Até quando a gente vai engolir isso de boca fechada? Se for pra organizar alguma coisa eu vou ser a primeira a ajudar. Chega!”.

Neste sábado (2), às 14h do horário irlandês (11h de Brasília), um protesto contra a violência será realizado em Dublin, na O’Connel Street, uma das principais ruas do centro da cidade. Às 14h desta quarta-feira (27), havia 3,6 mil pessoas no evento criado no Facebook, entre confirmados e interessados.

“Esse é um problema que vem afetando a sociedade irlandesa como um todo e há algum tempo. Irlandeses, brasileiros, poloneses, coreanos e pessoas de outros países têm sido vítimas de ataques quando vão ou voltam do trabalho e da escola. Grupos de jovens entre 13 e 17 anos e jovens adultos tem atacado pessoas vulneráveis como esporte nas ruas”, consta na descrição. (Esdras Pereira)

Jornal local noticiou as agressões. Crédito da foto: Reprodução
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