São Bento

Interino, Marcelo Cordeiro critica montagem do elenco do São Bento

"Acaba o jogo, o cara vai para casa, para num barzinho tomar uma cerveja", aponta Cordeiro, incomodado
‘O futebol está mudado’
O técnico interino do São Bento, Marcelo Cordeiro. Crédito da foto: Fábio Rogério / Arquivo JCS (18/11/2019)

O presidente do São Bento, Márcio Rogério Dias, apontou na última semana a mudança de perfil dos jogadores contratados para o Campeonato Paulista como o principal equívoco do planejamento para a temporada. “Medalhões” e jogadores conhecidos no futebol nacional não apresentaram o desempenho esperado o que acarretou no rebaixamento para a Série A2 do estadual.

Leia mais  Empate do Figueirense evita rebaixamento do São Bento na rodada

 

Como a estratégia do primeiro semestre não gerou os resultados esperados, o grupo para a Série B foi totalmente reformulado. Mas a campanha na segunda divisão nacional também não foi nem um pouco satisfatória. O Azulão é atualmente o último colocado, com 33 pontos. Está seis atrás do Figueirense, primeiro fora da zona da degola, restando apenas duas rodadas para o fim do campeonato.

“Muitos jogadores que o clube escolheu, não deram resultado também. Foram saindo atletas e chegando outros. É difícil fazer isso (reformulação) durante o campeonato e ter sucesso. O ideal é que você monte um grupo e vá fortalecendo. Nós não conseguimos fazer isso. Toda vez que você faz o processo inverso, você erra no planejamento”, opinou o técnico interino, Marcelo Cordeiro, que iniciou a temporada ainda como jogador do clube.

Durante o Campeonato Brasileiro da Série B, o clube sorocabano inscreveu 50 jogadores para a competição. Na última partida, foram relacionados apenas 19. Alguns atletas estão fora por conta de lesões, mas nove já deixaram a equipe oficialmente e outros negociam as rescisões contratuais com a diretoria.

“O futebol está muito mudado. Hoje o atleta não sente muito o momento ruim. Acaba o jogo, o cara vai para casa, para num barzinho tomar uma cerveja. E isso sempre me incomodou bastante. O futebol não é essa maravilha que todos pensam. E eu falo que eles têm de aproveitar por estar jogando uma Série B, em um clube de tradição. (Eles). Têm de dar valor à camisa que vestem”, afirmou o interino.

O volante Fábio Bahia, um dos remanescentes dos últimos anos da ascensão meteórica do São Bento, expressão semelhante. O atual capitão do time completou 150 jogos com a camisa beneditina na vitória sobre o Brasil-RS, no domingo. O veterano de 36 anos, após o jogo, falou sobre a realidade atual do futebol e do pensamento dos atletas.

“Antigamente, o jogador tinha que jogar bem para ir para os clubes. Hoje, não. O jogador fica o ano inteiro em um clube, joga uma vez e no outro ano está empregado. As empresas, os empresários, são muito fortes. Muitas vezes o jogador está em um time, mas se não tiver sucesso, no ano seguinte está em outro lugar. Então, perdeu aquela vontade de mostrar serviço”, analisou Bahia.

Para fugir da Série C em 2020, o Bentão precisa vencer as próximas duas partidas. Amanhã, às 19h15, enfrenta o Londrina, no CIC. No dia 30, encara o América-MG, em Belo Horizonte. Mas, além de fazer o seu papel, tem de torcer por tropeços dos adversários. (Zeca Cardoso)

Comentários