Após 12 anos, São Bento encontra carta de norueguês com cinco euros e pedido por distintivo
Correspondência enviada em 2014 permaneceu fechada até quinta-feira (5); clube preparou duas camisas e um pin para presentear o colecionador
Uma carta enviada da Noruega ao Esporte Clube São Bento em abril de 2014, acompanhada de uma nota de cinco euros e de um pedido simples, permaneceu fechada e esquecida por mais de 12 anos. O remetente, Einar Thomassen, queria apenas um pin com o escudo do clube sorocabano para acrescentar à coleção de distintivos de equipes de futebol que reúne há décadas. A correspondência, que chegou ao Brasil ainda naquele ano, só foi encontrada nesta quinta-feira (5), pelo diretor administrativo do São Bento, Juan Carvajal. Agora, mais de uma década depois, o pedido finalmente será atendido.
Datada de 16 de abril de 2014, a carta foi escrita em inglês e endereçada à antiga sede administrativa do clube, em Sorocaba. Na mensagem, Einar explicava que colecionava distintivos de clubes de futebol havia mais de 45 anos e manifestava o desejo de incluir o escudo do Bentão entre os exemplares que já possuía. Junto ao pedido, colocou uma nota de cinco euros. Apesar de ter chegado ao destino, o envelope nunca foi aberto.
A carta voltou à tona durante uma busca realizada por Juan em gavetas e armários do clube. Ao encontrar o envelope fechado, o diretor decidiu abri-lo e se deparou com a solicitação feita mais de uma década antes. Espantado com a descoberta, começou a pesquisar informações sobre o remetente, na tentativa de descobrir se ainda seria possível localizá-lo.
As buscas o levaram até Einar Thomassen, personagem de uma reportagem publicada em 2021 pelo jornal norueguês Os & Fusaposten. Na época, aos 76 anos, ele apresentou parte de sua coleção, construída ao longo de décadas. Nas fotografias, aparece diante de caixas repletas de distintivos de equipes de diferentes países. Entre os exemplares, é possível identificar um pin do Internacional, de Porto Alegre.
Ao descobrir que Einar continuava vivo, Juan decidiu atender ao pedido. A diretoria do São Bento separou não apenas o distintivo solicitado em 2014, mas também duas camisas oficiais do clube, que integrarão o pacote preparado para o colecionador.
A surpresa na Noruega
A descoberta também mobilizou o jornal Cruzeiro do Sul, que conseguiu entrar em contato com Einar ainda na quinta-feira (5). Surpreso ao ser procurado por um jornal brasileiro por causa de uma correspondência enviada havia mais de uma década, o norueguês confirmou que se lembrava da carta e do pedido feito ao São Bento.
Na sexta-feira (6), foi a vez de Juan conversar diretamente com o colecionador. A ligação, realizada na presença da reportagem do Cruzeiro do Sul, permitiu que o diretor explicasse como a correspondência havia sido encontrada e informasse sobre os presentes preparados pelo clube.
Einar demonstrou felicidade e gratidão pela iniciativa. O norueguês agradeceu pelo contato e pelo envio dos presentes, além de se comprometer a avisar o São Bento assim que receber a encomenda.
Para acompanhar o pacote, Juan também preparou uma carta oficial, datada de 5 de novembro de 2026, na qual reconhece a demora e apresenta um pedido de desculpas em nome do clube.
"Primeiramente, gostaria de pedir desculpas, em nome do nosso clube, por termos negligenciado sua carta enviada há mais de 12 anos", diz um dos trechos do documento, traduzido para o português.
Na correspondência, o diretor explica como encontrou o pedido durante uma reorganização de materiais após mudanças na administração. Também solicita que Einar, se possível, tire uma fotografia vestindo uma das camisas recebidas e encaminhe a imagem ao Instagram oficial do São Bento.
Uma história para o museu
Além de atender ao pedido, a diretoria decidiu preservar a correspondência original e a nota de cinco euros. Segundo Juan, os dois itens serão doados ao Museu do São Bento, passando a integrar o acervo dedicado à memória do clube.
Para o diretor administrativo, a história representa uma demonstração da grandeza do São Bento, cujo escudo despertou o interesse de um colecionador que vive a milhares de quilômetros de Sorocaba. O espanto inicial diante da carta esquecida deu lugar à satisfação de conseguir localizar o remetente e oferecer uma resposta, ainda que mais de uma década depois.
Agora, os objetos terão destinos diferentes. A carta e os cinco euros, que permaneceram esquecidos durante 12 anos, ganharão espaço no Museu do São Bento. Já o pin, acompanhado das duas camisas oficiais, seguirá para a Noruega, onde Einar aguarda a chegada do pacote.
Mais de uma década depois, o pequeno distintivo finalmente poderá ocupar um lugar na coleção de Einar. E a carta que permaneceu esquecida em uma gaveta passará a fazer parte da memória do clube ao qual foi endereçada.