São Bento tenta segurar crise financeira enquanto define nova diretoria

Gestão interina trabalha para manter acordo da dívida e encontrar recursos no curto prazo

Por Murilo Aguiar

Juan Carvajal afirma que prioridade é manter acordo trabalhista e buscar alternativas para equilibrar as finanças do clube sorocabano

Enquanto conduz o processo eleitoral que definirá o novo presidente do São Bento, a diretoria interina também trabalha para manter o equilíbrio financeiro do clube após quitar a parcela de julho do Programa Especial de Parcelamento Trabalhista (PEPT), considerada essencial para evitar a perda do acordo judicial.

Segundo Juan Carvajal, diretor administrativo interino, o São Bento paga mensalmente cerca de R$ 26 mil por meio do programa. Caso o parcelamento seja rompido, toda a dívida trabalhista poderá voltar a ser cobrada de uma única vez. "Se você perde esse parcelamento, perde o acordo. A dívida volta ao montante maior e passa a ser cobrada tudo de uma vez. Isso prejudicaria severamente o funcionamento do clube", explica.

Com a parcela deste mês quitada, a campanha de arrecadação, criada em 18 de julho, foi mantida para auxiliar no pagamento dos colaboradores e de outras obrigações financeiras do clube. Conforme Juan Carvajal, novas ações para ampliar a arrecadação já estão sendo preparadas. Uma delas será o lançamento, ainda nesta semana, de uma rifa de uma camisa autografada por um ídolo do São Bento.

"Vamos lançar ainda esta semana uma rifa de uma camisa de um ídolo do São Bento autografada e continuar levantando esses valores para cumprir com as nossas obrigações restantes", ressalta.

Além da continuidade da vaquinha, a gestão interina pretende buscar outras alternativas para levantar recursos. Entre as medidas estão a venda de materiais oficiais do clube no Museu do São Bento, por preços promocionais, e a expectativa de antecipação de receitas provenientes de patrocínios, valores que deverão ajudar no cumprimento dos compromissos financeiros de curto prazo.

No entanto, para o diretor administrativo interino do São Bento, a solução para os problemas passa por mudanças na forma de administrar o clube. Na avaliação dele, as gestões passadas concentraram responsabilidades em poucas pessoas, tornando inviável a condução do clube. "Ninguém consegue tocar um clube sozinho. É muita coisa para uma pessoa fazer. Quem assumir precisa estar alinhado e engajado em um propósito", afirma.

Juan Carvajal também destacou que a próxima administração terá pouco tempo para estruturar o departamento de futebol visando à disputa da Série A3 do Campeonato Paulista de 2027. "Não adianta pensar só daqui a três anos. O curto prazo também é sério. Daqui a dois meses o time precisa estar treinando. Tem que ter treinador, comissão e preparação para a Série A3."

Sócio do São Bento desde 2014, o dirigente afirmou que a participação na administração mudou sua percepção sobre a realidade do clube. Segundo ele, acompanhar o cotidiano da gestão revelou uma situação financeira mais complexa do que aparenta para quem observa de fora. "A gente percebe que tudo é muito mais difícil do que parece para quem está de fora. Hoje vemos uma gestão que é insustentável. Um clube que não está jogando futebol profissional não pode ter uma saída de recursos muito maior do que a entrada", conclui.