Armadillos lidera etapa regional da Olimpíada de Robótica
Equipe do Sesi Tatuí ficou no topo da classificação e garantiu destaque na disputa de robótica artística
Programação, eletrônica e criatividade dividiram o mesmo palco em uma disputa no sábado (29), em Sorocaba. Com 103,8 pontos, a equipe Armadillos, do Sesi Tatuí, conquistou o primeiro lugar da etapa regional da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), realizada na UniFacens. em Sorocaba.
A Gingatech terminou na segunda colocação, com 95,8 pontos, enquanto a Sesi Scooby-Itu completou o pódio, com 87,2. Na sequência apareceram Sesi Technokaos (85,6), Quantum Engine (71,6) e E2RP (56,4).
Na modalidade de robótica artística, o desafio vai além de construir e programar equipamentos. Antes de subir ao palco, os participantes passam por uma avaliação técnica, na qual apresentaram aos jurados recursos como programação, hardware e software. Depois, colocaram o projeto em funcionamento na apresentação artística. A nota final é composta por 40% da parte técnica e 60% da artística. Cada equipe tem duas oportunidades, com a melhor pontuação sendo considerada.
Entre os participantes estava a Sesi Scooby-Itu, formada por Gabriel Dobner, João Heitor, Isabela Amorim e Helena Hagen. O grupo levou uma história autoral sobre seres mágicos, natureza e escassez de recursos. O projeto exigiu cerca de cinco meses de preparação, desde a elaboração do enredo até a produção dos cenários, figurinos, eletrônica e programação.
A primeira apresentação não ocorreu como o grupo esperava. Alguns recursos falharam e a equipe precisou aproveitar a segunda tentativa. Para Gabriel, porém, a preparação deixou aprendizados que ultrapassam a parte tecnológica. "Eu acho que aprendi muito sobre como trabalhar em equipe. A OBR foi imprescindível na maneira como eu vejo o trabalho em equipe, como eu trabalho com as pessoas e a maneira como a gente consegue fazer a integração de diferentes coisas", afirma.
Uma das características da competição é a possibilidade de encontrar soluções sem depender de equipamentos de alto custo. Segundo Priscila Luza, da organização, há equipes que constroem projetos utilizando materiais simples e sustentáveis. "É uma competição de graça, não precisa de recursos caríssimos para participar. Tem equipes aqui com Arduino (plataforma de desenvolvimento de projetos eletrônicos) de R$ 20, R$ 30 e papelão para fazer acontecer", explica.
Caminho até o Mundial
A etapa regional faz parte de um caminho que pode levar os estudantes ao cenário internacional. A fase estadual será realizada nos dias 11 e 12 de setembro, em São Roque, enquanto a nacional ocorrerá na Paraíba.
Segundo a organização, uma equipe que participou da seletiva regional no ano passado avançou pelas etapas e conquistou o segundo lugar no Mundial disputado na Coreia do Sul, em abril deste ano. O grupo havia desenvolvido o projeto de maneira independente e chegou a realizar uma vaquinha para custear a viagem.
A presença brasileira no cenário internacional também ganhou outro capítulo em agosto, com a participação de estudantes e pesquisadores nos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, em Pequim, na China. A competição reuniu robôs humanoides em diferentes provas e colocou à prova tecnologias relacionadas à inteligência artificial e à movimentação autônoma.
Ao comparar a realidade brasileira com a estrutura encontrada por equipes de outros países, Priscila destaca a criatividade como um dos diferenciais dos projetos nacionais. "Aqui a gente tem papelão, cola quente, Arduino e um sonho", resume. Segundo ela, a necessidade de adaptar componentes e encontrar soluções próprias também faz parte do aprendizado dos estudantes.
O interesse pela competição também aumentou. Segundo a organização, foram cerca de 320 inscritos no ano passado e quase 500 neste ano. (M.A.)