Sorocabano de 19 anos acelera rumo à vaga olímpica no BMX Racing

Kauê Leal entra na fase mais importante da carreira e busca pontos decisivos para Los Angeles 2028

Por Murilo Aguiar

Ciclista disputa, em setembro, prova válida para os rankings Mundial e Olímpico

O ciclista Kauê de Souza Leal, 19 anos, começou um dos ciclos mais importantes da carreira no BMX Racing. Integrante da seleção brasileira, ele está entre os brasileiros que buscam somar pontos no ranking internacional para tentar uma vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.

Natural de Sorocaba, Kauê compete pelo Clube Sorocabano no Brasil e pela PowerFX Speedco nos Estados Unidos. Apesar da pouca idade, o ciclista acumula experiência em competições nacionais e internacionais e chegou ao atual ciclo olímpico depois de uma temporada de 2025 marcada pelo título brasileiro na categoria júnior e pelo vice-campeonato Pan-Americano.

Em 2026, já competindo entre atletas de alto nível, Kauê manteve a sequência de resultados. Até o fim de maio, foi campeão de três provas do circuito USA BMX nos Estados Unidos: Blue Ridge, em Lexington, na Virgínia; Carolina Nationals, em Rock Hill, na Carolina do Sul; e Music City National, em Nashville, no Tennessee. Também terminou na quarta colocação do Campeonato Pan-Americano, em Bogotá, na Colômbia.

No Brasil, o sorocabano também conquistou etapas da Copa Brasil em Indaiatuba (SP) e Balneário Camboriú (SC), além do Campeonato Catarinense e de duas provas da Copa PKS. O currículo do atleta aponta ainda oito títulos brasileiros conquistados ao longo da trajetória no BMX.

Agora, porém, os resultados passam a ter um peso ainda maior. O ciclo classificatório para os Jogos Olímpicos de Los Angeles começou em 4 de agosto e as competições internacionais passaram a valer pontos importantes para o Ranking Olímpico da União Ciclística Internacional (UCI).

“Atualmente, faço parte do grupo de quatro atletas brasileiros apontados como candidatos à conquista de uma vaga olímpica no BMX Racing, representando o Brasil na busca por essa classificação”, afirma Kauê.

O caminho até Los Angeles, no entanto, exige que o sorocabano mantenha uma extensa agenda de competições fora do País. A classificação leva em consideração resultados obtidos em etapas da Copa do Mundo, Campeonatos Mundiais, Pan-Americano, Campeonato Nacional e outras provas internacionais que distribuem pontos para o ranking.

O primeiro grande desafio desta caminhada já está programado. Em setembro, Kauê pretende viajar aos Estados Unidos para disputar uma prova de categoria C1, válida para os rankings Mundial e Olímpico da UCI. Depois, entre 3 e 11 de outubro, a programação prevê quatro etapas da Copa do Mundo de BMX na China.

A participação no calendário internacional também traz um obstáculo fora das pistas: o custo das viagens. Embora faça parte da seleção brasileira, Kauê explica que nem todas as despesas das competições internacionais conseguem ser bancadas pela Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC).

“Embora eu integre a seleção brasileira de BMX, a Confederação Brasileira de Ciclismo não consegue custear todas as competições do calendário internacional. Dessa forma, muitas viagens, inscrições, hospedagem, alimentação, transporte de equipamentos e preparação esportiva precisam ser financiadas pelo próprio atleta”, relata.

Somente para disputar as quatro etapas da Copa do Mundo na China, a estimativa apresentada pelo atleta é de aproximadamente R$ 25 mil. O valor inclui passagens aéreas, hospedagem, alimentação, inscrições, transporte da bicicleta e deslocamentos durante a viagem. Por isso, Kauê busca empresas e parceiros para ajudar a viabilizar a participação nas competições.

Além de buscar resultados individuais, o desempenho do sorocabano pode contribuir diretamente para a presença brasileira nos Jogos de 2028. Isso porque uma das principais formas de classificação ocorre pelo Ranking Olímpico por Nações, que considera a pontuação dos três melhores atletas brasileiros para definir o número de vagas conquistadas pelo País.

Com experiência internacional desde as categorias de base, Kauê já disputou provas nos Estados Unidos, Chile, Argentina, Colômbia, Bélgica e Azerbaijão, entre outros países. Em 2017, quando tinha 10 anos, terminou um Mundial na nona colocação. No ano seguinte, foi semifinalista do Mundial realizado em Baku, no Azerbaijão.

Agora, aos 19 anos, o objetivo é transformar a sequência de resultados construída desde a infância em uma oportunidade de representar o Brasil no maior palco do esporte. “A classificação olímpica é construída etapa por etapa. Cada competição disputada representa uma oportunidade de aproximar esse sonho da realidade”, finaliza Kauê.