Diretor da Fifa condena projeto de Infantino para Copa

Por Estadão Conteúdo

Infantino e Trump

A crise na Fifa, deflagrada pela proposta do mandatário Gianni Infantino de vender participação na Copa do Mundo do plano de investimento privado, teve novos desdobramentos. Após Carlos Cordeiro renunciar ao cargo de assessor da presidência, agora foi a vez de Kevin Lamour, diretor de operações da entidade, se posicionar sobre o assunto.

Em comunicado à agência de notícias Associated Press, ele afirmou que a equipe foi "enganada" pela falta de transparência de Infantino no planejamento do esquema com investidores privados e que os funcionários "merecem mais do que desprezo e intimidação".

"É um projeto de uma só pessoa", escreveu Lamour, colega de longa data de Infantino tanto na Fifa quanto na Uefa. "Não apenas este projeto não deve seguir adiante... mas chegou a hora de os líderes políticos do futebol fazerem a si mesmos as perguntas certas e tomarem as decisões corretas."

Lamour não renunciou ao cargo que ocupa desde 2024, mas disse ter um dever para com seus colegas. "E se isso significar que perderei meu emprego, que assim seja", disse o funcionário francês.

A ideia de Infantino é vender participações minoritárias por meio do novo programa de negócios, avaliado em cerca de R$ 102,5 bilhões. Para isso, seria criado um grupo chamado Fifa Forward Enterprise (FFE), que consolidaria os eventos e operações.

A reação mais contundente veio da Uefa. A entidade que comanda o futebol europeu rejeitou de forma unânime o projeto e anunciou que as associações do continente estão dispostas a boicotar todas as competições organizadas pela Fifa caso a proposta avance sem alterações. (Estadão Conteúdo)