Jiu-jítsu na bagagem

Plínio Augusto é instrutor no Texas após início em projeto social de Sorocaba

Por Murilo Aguiar

Academia de jiujitsu

O primeiro contato de Plínio Augusto com o jiu-jítsu aconteceu em um projeto social em Sorocaba. Dezessete anos depois, o professor de 38 anos ocupa uma posição de liderança em uma das maiores organizações da modalidade no mundo. À frente da Gracie Barra Tyler, no leste do Texas, ele ensina uma arte marcial brasileira para alunos de diferentes nacionalidades e integra a expansão internacional de uma rede com mais de mil escolas distribuídas por cinco continentes e mais de 35 países.

A trajetória começou em 2009. Aos 20 anos, Plínio ingressou na equipe Guego Jiu-Jítsu. O que era uma oportunidade de praticar esporte se transformou em profissão, levando o sorocabano a atuar como atleta, professor e árbitro oficial da Federação Internacional de Jiu-Jítsu Brasileiro (IBJJF) até chegar aos Estados Unidos.

"Entrei no jiu-jítsu por um projeto social em Sorocaba e, desde o início, enxerguei o esporte como uma ferramenta de transformação. Anos depois surgiu a oportunidade de levar esse trabalho para os Estados Unidos", resume.

Hoje, Plínio vive em Tyler, onde atua como principal instrutor da Gracie Barra Tyler. Em agosto, completa um ano à frente da unidade, período em que participou da estruturação da escola, da implantação da metodologia de ensino e do fortalecimento da equipe. "Ver essa evolução é uma das maiores recompensas da minha carreira."

Apesar da experiência construída no Brasil, a chegada aos Estados Unidos significou um novo começo. Além da adaptação ao idioma e à cultura, foi preciso conquistar espaço em um mercado competitivo e construir credibilidade entre os alunos. "O maior desafio foi começar praticamente do zero em outro país. Precisei conquistar a confiança dos alunos e mostrar meu trabalho diariamente."

Expansão

Segundo o sorocabano, o jiu-jítsu vive um momento de expansão nos Estados Unidos. Hoje, crianças, adultos e idosos procuram a modalidade por diferentes motivos, como qualidade de vida, disciplina e defesa pessoal.

"O jiu-jítsu já faz parte da rotina de muitas famílias nos Estados Unidos. Hoje as pessoas procuram a modalidade também pela qualidade de vida e pelo desenvolvimento pessoal", explica.

O crescimento da modalidade acompanha a expansão da própria Gracie Barra, que ajudou a levar a metodologia brasileira para diferentes partes do mundo. Para Plínio, fazer parte dessa estrutura representa uma responsabilidade que vai além do ensino das técnicas. "Representar o Brasil ensinando uma arte marcial brasileira para pessoas de diferentes culturas é uma grande honra."

Na avaliação do professor, existem diferenças entre o perfil dos praticantes brasileiros e americanos. Enquanto o brasileiro costuma crescer mais próximo das competições, o americano normalmente inicia no esporte buscando saúde, defesa pessoal ou um novo estilo de vida. "O aluno americano valoriza muito o professor, respeita a metodologia e entende que a evolução acontece com consistência."

Dentro da academia, Plínio afirma que o objetivo não é apenas ensinar técnicas de luta. Segundo ele, o jiu-jítsu também funciona como ferramenta para desenvolver valores que podem ser levados para fora do tatame.

Essa filosofia também aparece nas redes sociais, onde compartilha vídeos de técnicas, bastidores das aulas, competições e histórias de transformação de alunos. O conteúdo passou a aproximar pessoas de diferentes países e também se tornou uma porta de entrada para novos praticantes. "As redes sociais aproximam as pessoas do nosso trabalho. Muitos alunos conhecem a academia primeiro pela internet."

Na opinião de Plínio, a popularização do MMA contribuiu para apresentar o jiu-jítsu ao mundo, mas a permanência dos praticantes acontece pelos benefícios encontrados na modalidade.

Reconhecimento internacional

Outro momento marcante da carreira aconteceu neste ano, quando Plínio recebeu o terceiro grau na faixa preta das mãos de Flávio Almeida, uma das principais referências mundiais da Gracie Barra.

A rotina no Texas é compartilhada com a família. A esposa, Larissa, faixa marrom de jiu-jítsu, auxilia nas aulas da academia, enquanto a filha, Lavínia, também pratica a modalidade e acompanha de perto o ambiente em que o pai construiu a carreira.

Mesmo vivendo nos Estados Unidos, Plínio mantém as raízes em Sorocaba. Ao recordar o início em um projeto social, ele acredita que a própria história mostra como o esporte pode abrir caminhos para quem alia dedicação e preparo. "O jiu-jítsu pode abrir portas no mundo inteiro, mas é o caráter que mantém essas portas abertas."