Maior Copa de todos os tempos teve estádios lotados e jogos memoráveis
Quando a Copa do Mundo começou, 48 nações se alinharam em busca de um sonho. Na verdade, em busca de vários sonhos. Cada seleção com seus objetivos, algumas sonham com o título, algumas sonham com uma vitória ou até com o primeiro gol. As torcidas movimentam e colorem as arquibancadas.
Toda Copa do Mundo deixa uma imagem para a história. Em 2026, ela não foi uma bicicleta improvável, uma defesa milagrosa ou um gol nos acréscimos. A principal lembrança será a consolidação de uma nova geração de jogadores e a confirmação de que o futebol vive uma mudança de ciclo. Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar podem ter se despedido do maior palco do futebol de seleções. Na próxima Copa, os olhos do mundo devem se voltar para Yamal, Haaland e Mora.
Disputado pela primeira vez com 48 seleções e sediado por Estados Unidos, México e Canadá, o Mundial reuniu estádios cheios, recordes de público e confrontos equilibrados desde a fase de grupos. O novo formato ampliou o número de países participantes sem comprometer o nível técnico da competição. Ao contrário do que muitos previam, seleções consideradas menores mostraram organização e dificultaram a vida das tradicionais potências.
Também foi uma Copa marcada pela força do coletivo. Poucas equipes dependeram exclusivamente de um craque para chegar longe. A Espanha conquistou o título apoiada em um projeto desenvolvido durante mais de uma década nas categorias de base. Outras seleções, como França e Marrocos, também mostraram elencos cada vez mais completos, capazes de manter o nível técnico mesmo com mudanças durante as partidas. Por outro lado, a Argentina, ainda dependente da genialidade de Messi, chegou até a final depois de sofrer nas fases anteriores, com gols, quase sempre, nos últimos minutos ou até na prorrogação.
Favoritas?
Apenas oito países podem se vangloriar de ter ganho a Copa do Mundo em toda a história. Quase sempre os campeões chegam respeitados pelo menos pelas estrelas que carregam no peito. Mas, em 2026, nem todos conseguiram um bom desempenho. A Itália nem se classificou. O Uruguai, em um grupo considerado fácil, caiu ainda na fase de grupos. O Brasil parou nas oitavas. A Alemanha, na inédita fase de 16-avos.
Por outro lado, seleções que não despertavam muito interesse internacional apareceram. Cabo Verde surpreendeu o mundo ao chegar na segunda fase e, por muito pouco, não eliminou a Argentina. A equipe africana jogou e não foi derrotada nos 90 minutos por nenhuma das duas finalistas. A Argentina precisou da prorrogação para vencer. Além de Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão disputaram sua primeira Copa do Mundo na história. Os estreantes terminaram, respectivamente em 32º; 42º; 44º; e 46º.
O futebol de pressão, intensidade física e verticalidade apareceu, mas foi vencido pelo estilo espanhol de toque de bola.
A arbitragem também viveu um novo capítulo. A tecnologia passou a fazer parte da rotina das partidas. O impedimento semiautomático tornou decisões do VAR mais rápidas e definiu partidas, inclusive anulando um gol na final.
Números
A briga pela artilharia da competição uniu alguns dos principais craques da Copa. Mbappé foi coroado ao marcar 10 vezes, seguido por Messi com 8 gols e Haaland e Bellingham, com 7 cada um, na terceira posição.
O zagueiro Pau Cubarsí ganhou o prêmio de melhor jogador jovem da competição. O goleiro Unai Simón, que sofreu apenas um gol durante toda a competição, foi eleito o melhor arqueiro da competição.
A Espanha foi a equipe que mais trocou passes ao longo da competição, com 5.470. A equipe mais violenta foi a Argentina, com 113 faltas e 15 cartões. Já a Coreia do Sul cometeu apenas 25 faltas.
As defesas menos vazadas foram a da Espanha e a da Colômbia, cada uma com apenas um gol sofrido. Porém, a Espanha disputou oito partidas, enquanto a Colômbia, apenas 4. (V.O.)