Dia 21: Renascimento
Com virada heroica belga, força inglesa e sufoco americano, favoritos sobrevivem
Os deuses do futebol têm os seus caprichos. Aos 40 minutos do segundo tempo, com dois a zero a seu favor, Senegal já celebrava uma das melhores exibições de sua história. Quando a Bélgica parecia completamente entregue, tendo sacado até seus principais jogadores, o herói mais improvável ressurgiu. Romelu Lukaku, símbolo de uma geração e questionado por muitos nesta Copa, chamou a responsabilidade. Ele não apenas balançou a rede, mas pediu cabeça aos companheiros e incendiou a partida. O empate no apagar das luzes e a virada na prorrogação parecem dizer que a melhor geração belga ainda merece mais tempo.
Se a mística puniu Senegal, ela salvou a Inglaterra através do mais antigo dos clichês: o peso da camisa. A valente República Democrática do Congo flertou com a consagração ao abrir o placar e ter a chance clara de matar o jogo. Faltou. Quando o segundo tempo começou, a Inglaterra se impôs de forma implacável pelos pés de Harry Kane, que marcou duas vezes e garantiu a virada. Agora, os ingleses caminham rumo a um desafio que vai além das quatro linhas: encarar a embalada seleção do México, sustentada por uma mística de nunca ter perdido no estádio Azteca em Copas do Mundo.
Para fechar o dia das sobrevivências dramáticas, os Estados Unidos provaram que o coração também joga. O último país-sede a entrar em campo pela segunda fase confirmou a classificação das três sedes em um jogo de puro teste cardíaco. Sendo superiores, mas pecando na finalização, os norte-americanos viram o roteiro flertar com a tragédia após a expulsão de Balogun. O drama ameaçava calar a imensa torcida local, até que a tensão acumulada encontrou alívio em um instante de precisão. Uma bela cobrança de falta de Tillman encontrou as redes, fez o estádio explodir.