Lei que restringe celular em escola faz um ano
Diretores relatam maior concentração e socialização dos alunos na sala de aula
Um ano após a implementação da lei que restringe o uso de celulares nas escolas de todo País, diretores relatam maior participação dos estudantes nas atividades em classe, maior concentração nas aulas, socialização e queda em conflitos e agressões. Conforme o Ministério da Educação, 92% das escolas do País já implementam a legislação.
Por outro lado, os gestores indicam dificuldade alta para conquistar adesão dos estudantes à regra e 39% indicam dificuldade de garantir infraestrutura para armazenamento e guarda dos aparelhos. A maior parte (62%) relata que o celular é guardado na mochila do próprio estudante. Cerca de 31% dos gestores também apontam dificuldade de fiscalizar a aplicação da lei durante as aulas e os intervalos.
Os dados foram divulgados ontem (30) pelo MEC e fazem parte de uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com gestores de mais de 8 mil escolas públicas e privadas de todo País a respeito da implementação da lei que restringiu o uso dos dispositivos nas escolas. O governo pretende fazer uma nova rodada da pesquisa ouvindo professores e estudantes.
"Diferentemente de outras leis que são natimortas, essa é uma lei viva, porque ela já está sendo internalizada. Muita lei no Brasil não pega. Se essa pegou, é porque havia um ambiente na sociedade preocupado com esse uso nocivo", afirmou a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt.
Projetos para proibir o uso de celulares nas escolas já tramitavam no Congresso desde 2015. O Ministério da Educação encampou a pauta e o governo federal atuou no Legislativo para aprovar a lei.
Os principais ganhos apontados pela pesquisa estão na área de socialização, convivência, saúde mental e bem-estar. (Estadão Conteúdo)