Nem a copa para o trabalho diário
Autônomos e comerciantes mantiveram a rotina durante o jogo do Brasil e aproveitaram o aumento da demanda para reforçar a renda
Enquanto milhares de torcedores acompanhavam Brasil e Japão pela fase eliminatória da Copa do Mundo, parte dos sorocabanos seguiu trabalhando na tarde de ontem (29). Em diferentes regiões, profissionais autônomos e funcionários do comércio mantiveram a rotina e aproveitaram o movimento provocado pela partida para reforçar a renda.
Embora a maioria dos estabelecimentos tenha fechado as portas ou liberado os funcionários para assistir ao jogo, alguns comércios permaneceram abertos e aproveitaram a circulação de clientes antes e depois da partida para manter o faturamento. Em muitos casos, televisores ligados permitiam que quem estava no expediente acompanhasse apenas alguns lances, sem deixar o trabalho de lado.
Foi o caso do entregador autônomo Henrique Paulo, 36 anos, que pedalava pelo Parque Campolim durante o horário da partida. Segundo ele, a necessidade de trabalhar falou mais alto do que a vontade de acompanhar a seleção brasileira. "Eu preciso mesmo. Em dia de jogo sempre tem uma demanda maior, então a gente aproveita. Sou autônomo e, quando não tem outro serviço, faço as entregas. Gosto de futebol, mas, na necessidade, a gente tem de fazer sacrifício. Tem que ir para a luta", comenta.
Mesmo sem conseguir acompanhar a partida de perto, Henrique garante que a torcida continua firme. "Não dá para assistir muito, mas a gente fica na torcida. Espero que o Brasil vá longe e conquiste essa Copa."
Na região central, a rotina também seguiu normalmente em uma lanchonete na rua Souza Pereira, em frente à Praça do Canhão. Funcionária do estabelecimento, Joelma Santana Cosmo, 46 anos, explica que o comércio tradicionalmente permanece aberto em dias de jogos da seleção e amplia o atendimento quando há maior movimento.
Segundo ela, entre um atendimento e outro, sempre é possível olhar para a televisão e acompanhar os principais lances. "A gente não consegue assistir ao jogo inteiro, mas vai acompanhando como dá. O importante é torcer para o Brasil ganhar."
Entre ruas mais vazias e televisores ligados nos poucos estabelecimentos que permaneceram funcionando, a tarde de Copa mostrou que, para muitos sorocabanos, a paixão pelo futebol divide espaço com a necessidade de garantir o sustento. Para eles, o apito inicial não interrompeu o expediente, apenas mudou o ritmo de uma segunda-feira em que trabalho e torcida caminharam lado a lado. (M.A.)