Levantando voo

Brilho do time reserva na despedida do Brasil gera "boas dúvidas" para o técnico Carlo Ancelotti

Por Vernihu Oswaldo

Bom desempenho contra o Panamá, no domingo, trouxe maior confiança para a seleção

Os 26 jogadores e toda a delegação brasileira se despediram da torcida após a bela vitória sobre o Panamá no domingo (31). A partir de agora, o Centro de Treinamento do New York Red Bulls, na cidade de Morristown, em Nova Jersey, será a nova casa da seleção.

A equipe embarcou em um voo fretado rumo aos Estados Unidos ontem (1º) à noite. O trajeto entre o Rio de Janeiro e a cidade americana leva muito mais do que jogadores; carrega a esperança, renovada depois da boa atuação do fim de semana, pela conquista de mais um título.

Após a partida de domingo, os jogadores ganharam folga e se apresentaram novamente à seleção até 16h no Hotel Hilton da Barra da Tijuca. De lá, a delegação foi para o Aeroporto do Galeão.

A seleção brasileira ficará hospedada no The Ridge Hotel, em Basking Ridge, no Estado de Nova Jersey. O centro de treinamento escolhido é considerado um dos mais modernos do mundo e será o endereço do Brasil durante toda a sua permanência nos Estados Unidos.

A despedida no Maracanã

No domingo, um público de 72.140 torcedores lotou as arquibancadas do Maracanã para assistir a um belo jogo de futebol, com oito gols, em que o Brasil goleou o Panamá por 6 a 2.

A partida teve dois tempos distintos, inclusive na escalação. Apenas o zagueiro Léo Pereira jogou os 90 minutos, já que os defensores tidos como titulares, Marquinhos e Gabriel Magalhães, ainda não haviam se juntado ao grupo.

No primeiro tempo, apesar do gol relâmpago de Vinicius Junior, o Brasil teve dificuldade para armar as jogadas. O meio-campo pouco povoado fez com que a maioria das ações ofensivas dependesse puramente da velocidade, e a defesa panamenha, demonstrando grande vigor físico, conseguiu anular boa parte dos ataques.

O lateral Murillo deixou tudo igual para os caribenhos em um lance de sorte: uma cobrança de falta que desviou e enganou o goleiro Alisson. No fim da primeira etapa, no entanto, Casemiro recolocou o Brasil na frente com um gol de cabeça.

No segundo tempo, com 10 alterações, a equipe voltou em outro esquema. Com Lucas Paquetá ajudando a povoar o meio-campo, a seleção deslanchou. Foram mais quatro gols na conta, com destaque para as ótimas atuações de Igor Thiago e Rayan.

Mudança de planos?

Com o excelente desempenho do time reserva, boas dúvidas surgem no horizonte da seleção. O técnico italiano Carlo Ancelotti tem dado preferência ao esquema 4-2-4, mas o Brasil provou criar muito mais atuando no 4-3-3. A presença de um centroavante de ofício como Igor Thiago, trombando com os zagueiros, também se mostrou uma alternativa importante.

Há, ainda, a expectativa em torno da volta de Neymar, o que pode (ou não) exigir novas adaptações táticas da comissão.

Antes da Copa, resta tempo para mais um teste: no sábado (6), o Brasil enfrenta o Egito, seleção que, assim como o Panamá, também está classificada para o Mundial. A escolha por estes adversários foi estratégica, visando enfrentar escolas de futebol parecidas com as que a seleção sanarinho encontrará na fase de grupos, contra Marrocos e Haiti. (Com informações de Estadão Conteúdo).