Profissional de educação física adapta prática de tecido acrobático durante a gestação em Sorocaba

Por Vernihu Oswaldo

Mayra Ribeiro, grávida de 33 semanas e à espera de Maitê, encontrou formas de ajustar a atividade para reduzir impactos e riscos

A cena chama atenção: giros, subidas e movimentos precisos em tecidos suspensos. Em Sorocaba, a profissional de educação física Mayra Ribeiro mantém a prática mesmo durante a gestação, com adaptações voltadas à segurança e ao controle.

Ela começou no tecido acrobático aos 13 anos. Agora, aos 30, grávida de 33 semanas e à espera de Maitê, encontrou formas de ajustar a atividade para reduzir impactos e riscos. Os movimentos passaram a respeitar as mudanças do corpo e as recomendações médicas.

A prática, que exige força, equilíbrio e consciência corporal, foi adaptada à nova realidade. Os exercícios são realizados com cautela, priorizando estabilidade e atenção aos limites do corpo.

A prática de atividade física durante a gestação é recomendada, desde que feita com acompanhamento profissional e respeitando as condições individuais. Segundo a médica ginecologista Adriana Dias, exercícios de força, como musculação e atividades com elásticos ou com o peso do próprio corpo, podem ser realizados de três a cinco vezes por semana, com duração entre 15 e 20 minutos e intensidade moderada, ajustada ao condicionamento prévio da gestante. “Atividades com duas a três séries de 10 a 15 repetições são, em geral, indicadas, mas a carga deve sempre ser adaptada”, explica.

Além dos exercícios de força, práticas como alongamento leve e ioga também podem trazer benefícios, especialmente no relaxamento muscular, na melhora da postura e no alívio de dores lombares e pélvicas. No entanto, exigem cautela devido à maior frouxidão ligamentar durante a gravidez, o que aumenta o risco de lesões.

O pilates aparece como um dos aliados mais recomendados. De acordo com a especialista, a prática contribui para o fortalecimento do abdome e do assoalho pélvico, auxiliando no trabalho de parto e reduzindo riscos como a incontinência urinária. “O treinamento da musculatura pélvica pode reduzir em até 50% os casos no período pré-natal e 35% no pós-parto”, destaca.

Além do bem-estar

Estudos indicam que a prática regular de exercícios físicos melhora a saúde cardiovascular da gestante e pode reduzir em até 30% o risco de distúrbios hipertensivos, como a pré-eclâmpsia. Mulheres que já eram ativas antes da gravidez tendem a apresentar menor incidência dessas complicações.

Além disso, a atividade física está associada à redução da fadiga, à melhora da qualidade do sono, ao controle do ganho de peso e à diminuição do risco de depressão durante a gestação.

A recomendação geral é de pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, distribuídos em três ou mais dias. Para mulheres sedentárias, a orientação é iniciar gradualmente, com cerca de 15 minutos por sessão, aumentando o tempo de forma progressiva.

Cuidados e restrições

Apesar dos benefícios, alguns cuidados são essenciais. Exercícios prolongados, com duração superior a 60 minutos, devem ser evitados, pois podem causar hipertermia materna e alterações temporárias no bem-estar fetal.

Ambientes muito quentes e úmidos também não são recomendados, assim como a prática sem hidratação adequada. A ingestão de líquidos e o equilíbrio alimentar devem acompanhar o gasto energético da atividade.

Outro ponto de atenção são os alongamentos e movimentos bruscos, especialmente a partir da 10ª semana de gestação, quando há maior risco de lesões devido às alterações hormonais.

Acompanhamento profissional

Além de manter a própria rotina, Mayra também atua como professora de tecido acrobático e acompanha gestantes interessadas em se manter ativas durante esse período. As aulas são abertas a diferentes públicos, incluindo crianças a partir de 8 anos, adolescentes e adultos.