De Sorocaba para Portugal

Revelado no futsal da região, Eduardo Love vive fase artilheira na Europa e sonha com voos maiores no futebol europeu

Por Murilo Aguiar

Ex-morador da Vila Barão, jogador de 27 anos se destaca e mira acesso com o Belenenses

Natural de Sorocaba, do bairro Vila Barão, o atacante Eduardo Fabrício de Souza, conhecido como Eduardo Love, vem conquistando espaço e destaque no futebol português. Atualmente no elenco do Belenenses, o jogador de 27 anos constrói uma trajetória marcada por passagens pelo futsal, clubes do interior paulista e experiências internacionais até se firmar na Europa.

Suas atuações e gols na atual temporada têm chamado atenção e contribuído diretamente para a campanha da equipe, que ocupa a terceira colocação na tabela e segue na disputa pelo acesso à 2ª Divisão portuguesa.

A história no esporte começou ainda na infância, em projetos locais. “Aos 5, 6 anos de idade, tive a oportunidade de iniciar no Manchester, onde comecei a evoluir e conquistar alguns títulos em Sorocaba”, relembra. No futsal, passou por equipes tradicionais da região, como o Guarany Futsal — maior vencedor do Cruzeirão — e conquistou títulos pelo Show de Bola, de Salto, em 2012, e pelo Ipanema Clube, em 2014, ambos pelo Cruzeirinho.

Também teve passagem pelo Palmeiras, onde foi campeão no futsal e venceu competições da Federação Paulista. Foi nesse período que decidiu migrar definitivamente para o futebol. “Quando eu ainda estava no Palmeiras, passei a gostar muito do futebol de campo e me transferi logo, sem pensar duas vezes, para o Atlético Sorocaba, para disputar o sub-17”, conta.

No Atlético Sorocaba, ganhou destaque ao terminar como artilheiro de sua chave de grupo, com gols marcados contra São Paulo e Audax. A sequência da carreira incluiu passagens por clubes do interior paulista, como São Carlos, São Carlense, Taquaritinga, Votuporanguense e Barretos, consolidando sua experiência no futebol profissional.

A oportunidade internacional surgiu em Portugal, onde defendeu o Louletano e alcançou uma marca expressiva: 53 gols, se tornando o maior goleador da história do clube. Também teve uma experiência no futebol japonês, atuando pelo Reinmeer Aomori, antes de dar continuidade à carreira europeia até chegar ao Belenenses.

Segundo o jogador, a ida para o exterior foi consequência direta do desempenho em campo. “Surgiu graças ao meu trabalho no Campeonato de Portugal no ano passado, onde fui um dos artilheiros”, afirma. Ele destaca ainda a repercussão do momento, com espaço inclusive na imprensa portuguesa, que publicou reportagem sobre sua trajetória. No Belenenses, o objetivo é claro: conquistar o acesso. “Estamos buscando voltar à segunda liga do futebol português”, diz.

O apelido “Love”, que hoje o acompanha dentro e fora de campo, surgiu de forma espontânea e curiosa. “Teve uma época em que conheci uma garota e, nos dois primeiros jogos, não fiz gol. Na semana do terceiro jogo, assumi esse relacionamento e acabei marcando. Aí começaram a falar que eu só fazia gol porque estava namorando, ‘artilheiro do amor’. Com o tempo, o apelido foi pegando”, conta.

Sobre a adaptação ao futebol europeu, ele destaca diferenças dentro e fora de campo. “Fora foi tranquilo, pois tive brasileiros comigo. Dentro de campo, o futebol é diferente, então no começo me custou um pouco”, explica. Ele também ressalta o nível de competitividade. “Aqui não tem equipe inferior, todas são bem treinadas.”

O bom momento também é atribuído ao suporte fora das quatro linhas. “Tenho de agradecer muito à minha família e às pessoas que estão ao meu lado. Isso faz com que meu desempenho seja o melhor possível”, afirma. Ele se define como um atacante de área. “Tenho boa finalização e noção de espaço para chegar ao gol.”

A distância da família é apontada como um dos principais desafios da carreira internacional. “É difícil estar longe em momentos importantes e datas comemorativas”, lamenta. Para lidar com isso, Eduardo Love recorre ao acompanhamento profissional. “Conversar com um ‘mental coach’ ajuda bastante para que isso não se torne um problema maior.” O atleta também valoriza o papel dos treinadores em sua evolução. “Acredito muito em corrigir, ajudar e dar confiança, pois é tudo o que um jogador precisa.”

Entre as metas, Eduardo Love mantém objetivos bem definidos. “A curto prazo, quero ser campeão da Liga 3 e conquistar o acesso. A longo prazo, desejo atuar em uma competição de elite do futebol europeu.” Ao falar da cidade natal, resume: “Fico muito feliz, pois não estou representando apenas Sorocaba, mas também minha família e meus amigos”.