Leandro Castan chegou

Ex-zagueiro inicia carreira como treinador, assume o sub-20 do Real Soccer e aposta na proteção e no desenvolvimento integral dos atletas

Por Murilo Aguiar

André Pinto, Leandro Castan e Rodrigo Pignataro durante evento realizado na noite de quarta-feira

A coletiva que marcou a apresentação de Leandro Castan como novo treinador do sub-20 do Real Soccer revelou mais do que a chegada de um nome de peso ao clube de base de Sorocaba. Expôs, sobretudo, a filosofia, o planejamento e a convicção de um projeto que aposta na formação como pilar central — dentro e fora de campo — e que começa a ganhar corpo e visibilidade na cidade e na região.

Castan, que inicia oficialmente a carreira como técnico após quatro anos aposentado dos gramados, deixou claro que o retorno ao futebol foi pensado, preparado e, acima de tudo, desejado. Com cursos realizados na CBF, estágios em clubes como São Paulo, Corinthians, Criciúma e Ponte Preta, além da experiência acumulada como capitão em diversas equipes ao longo da carreira, ele afirmou que quer oferecer aos jovens atletas algo que considera essencial nesta fase: tranquilidade para jogar.

“Quero que eles [se referindo aos jogadores] desfrutem o momento de jogar futebol. Quando o atleta se aproxima do profissional, o sonho muitas vezes vira pressão. Meu objetivo é proteger esses meninos, dar liberdade dentro de uma organização”, afirma.

A escolha pelo Real Soccer, segundo o próprio treinador e a diretoria, não foi casual. O presidente André Pinto explicou que a aproximação começou cerca de sete meses atrás, quando Castan visitou o Centro de Treinamento do clube, sem qualquer conversa formal sobre cargo. O encontro serviu para apresentar a estrutura, a proposta de trabalho e, principalmente, os valores do projeto. A identificação foi imediata e a conexão amadureceu naturalmente até se transformar no convite para assumir a categoria sub-20. “Mais do que o nome, a gente viu princípios e valores alinhados com o que acreditamos aqui. A experiência que ele pode transmitir a esses jovens é algo que não tem preço”, destaca André.

O diretor executivo Rodrigo Pignataro reforçou que a contratação simboliza exatamente a combinação que o Real Soccer busca: a juventude de um clube em construção aliada à bagagem de um profissional que viveu o futebol em alto nível. Para ele, a chegada de Castan integra um processo maior, pautado em planejamento estratégico, método e metas bem definidas.

Durante a coletiva, a diretoria do Real Soccer também abordou a expectativa gerada pela presença de um ex-jogador de renome à beira do campo e como isso impacta patrocinadores, atletas, familiares e a própria comunidade. Pignataro foi direto ao afirmar que o clube trabalha com “fé e razão caminhando juntas”, valorizando tanto os resultados esportivos quanto os organizacionais.

Ele citou a participação recente na Copa São Paulo como exemplo claro dessa visão. Embora o objetivo esportivo não tenha sido plenamente alcançado, o Real Soccer colheu frutos importantes fora de campo, com visibilidade, negociações de atletas, fortalecimento institucional e abertura de portas com grandes marcas interessadas no projeto. “A gente sempre quer mais dentro de campo, mas, fora dele, os objetivos foram atingidos. A Copa São Paulo nos deixou um legado importante para iniciar 2026 em outro patamar”, ressalta.

Questionado sobre a possibilidade futura de o clube ter uma equipe profissional, o presidente André Pinto foi cauteloso e didático. Segundo ele, o foco está nos próximos cinco anos de consolidação como referência em formação de base. A profissionalização só será considerada quando houver um modelo de negócio totalmente estruturado e sustentável, inspirado em experiências que ele viveu no futebol japonês, onde toda a temporada já estava financeiramente garantida antes mesmo de começar. “Nosso projeto é de dez anos. Em cinco, queremos ser referência em formação. O profissional só virá quando não comprometer nada do que está sendo construído na base”, explica.

Castan, por sua vez, demonstrou ao longo da entrevista um perfil de liderança fortemente ligado à proteção do grupo e ao ambiente interno. Recordou treinadores que marcaram sua carreira, como Tite, Fernando Diniz e Vanderlei Luxemburgo, e afirmou que pretende ser, para os jovens, aquilo que ele próprio sentia ao ver um técnico experiente à frente do elenco: segurança e responsabilidade assumida fora das quatro linhas. “Eles [os jogadores] precisam sentir que têm alguém do lado de fora que vai assumir a responsabilidade por eles. Vai ter cobrança, claro, mas também vai ter proteção”, resume.

O treinador também falou sobre a ansiedade para iniciar os trabalhos em campo e destacou a importância da comissão técnica que está sendo formada, incluindo o auxiliar Guilherme Hoth, que, segundo ele, traz um perfil acadêmico e conceitual capaz de complementar sua vivência prática no futebol.

A coletiva foi realizada ao fim de um evento que marcou simultaneamente o encerramento da temporada 2025 e a abertura oficial do calendário 2026 do Real Soccer. Além de Castan no sub-20, o clube apresentou Cicinho no sub-17, Guilherme Hoth no sub-15, Tupã no sub-14, Douglas Araújo no sub-13 e o ex-jogador Lexa no comando do sub-12 e do sub-11. O evento também contou com a apresentação oficial dos uniformes para a temporada.