O último adeus ao Rei Pelé

Rei do Futebol é sepultado em Santos após velório com 24 horas de duração e 230 mil pessoas na Vila Belmiro

Por Cruzeiro do Sul

Cortejo fúnebre passou pelas ruas da cidade sob aplausos dos fãs

Após velório com 24 horas de duração na Vila Belmiro e cortejo fúnebre pelas ruas da cidade de Santos, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, foi sepultado no início da tarde de ontem (3) no Memorial Necrópole Ecumênica, cemitério situado a 900 metros do estádio do Santos. A cerimônia foi restrita a 140 pessoas, entre familiares e amigos próximos, e só aconteceu depois de um novo velório, mais curto e reservado também somente para a família, que não participou da marcha fúnebre e chegou cedo ao Memorial. A viúva Márcia Aoki foi a primeira a chegar.

Wilson Simoninha foi convidado à cerimônia de sepultamento de Pelé. Seu pai, Wilson Simonal, era grande amigo do Rei. O cantor fez, inclusive, um megashow no Maracanãzinho em tributo ao milésimo gol do jogador em 1969. “Pelé foi uma figura que fez parte da minha vida, desde a infância. Foram ótimas memórias. Representou muito e representa pra mim e para o Brasil. Viva Pelé. Pelé eterno”, exaltou o cantor.

A solenidade aconteceu sob o som do canto das araras e papagaios, já que 90% da área total de 40 mil m2 é do cemitério, na encosta do morro do Marapé, é formada por reserva nativa e preservada de Mata Atlântica. O cemitério é cercado de natureza nas áreas comuns, com pequenos lagos e aves. A ideia é que o Memorial se torne atração turística de Santos. O espaço será aberto ao público para visitas, em datas ainda definidas.

Cortejo

O caixão com o corpo de Pelé saiu do gramado da Vila Belmiro às 10h15 e foi colocado em cima do caminhão dos bombeiros às 10h19. Deixou a Vila Belmiro pelo portão 4, partindo às 10h25 para dar início ao cortejo fúnebre, que passou pelas ruas da cidade de Santos sob aplausos dos fãs. O principal destino foi o Canal 6, avenida em que a mãe do Rei Pelé, Dona Celeste, e a irmã Maria Lúcia.

Durante a celebração da missa católica no encerramento do velório ainda na Vila Belmiro, foi dito que Dona Celeste não tem plena noção da morte do filho. Em frente à casa da família, milhares de pessoas se aglomeravam para acompanhar o cortejo. Uma bandeira com os dizeres “Pelé Eterno” decorava uma das janelas da casa. Em dado momento, a irmã de Pelé, Maria Lúcia, apareceu na janela e na varanda da casa e foi muito aplaudida pelos fãs do Rei.

Dona Celeste tem 100 anos e sempre acompanhou Pelé. Entusiasta da carreira do jogador, se mostrava reticente, porém, à mudança de cidades, em especial a saída de Bauru para Santos na década de 1950.

Jogadores do tetra e do penta ignoram velório

Com exceção de Mauro Silva, atual vice-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), jogadores tetracampeões mundiais com a seleção brasileira em 1994, e ainda os pentacampeões com o Brasil em 2002, não foram ao velório de Pelé, na Vila Belmiro. Mas cerca de 230 mil pessoas, em sua maioria fãs comuns que admiraram o ídolo dentro e fora de campo, compareceram ao estádio do Santos para o seu último adeus ao maior jogador de futebol de todos os tempos.

No Catar, onde acompanhou a Copa do Mundo, Kaká disse que os brasileiros, no geral, não valorizam os ídolos do esporte e que Ronaldo, no Brasil, era “só um gordo andando pela rua”. No entanto, nem ele nem outro ex-jogador do penta foi ao velório. Ronaldo, Romário, Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Cafu, o técnico Tite, todos foram ausências sentidas. O ex-goleiro Marcos, titular em 2002, se justificou nas redes sociais relembrando a morte dos pais. “Ninguém aqui das redes foi (no velório deles)”, escreveu.

Por outro lado, ídolos do Santos e companheiros de Pelé, como Manoel Maria, Clodoaldo, Lima, Lalá, e Aguinaldo foram dar adeus ao amigo e se emocionaram. Narciso, Leo, Elano, Zé Roberto, Serginho Chulapa, Careca, Aranha e Marcelinho Carioca também compareceram. Entre os clubes, o São Paulo foi representado pelo presidente Julio Casares. Corinthians e Palmeiras não mandaram dirigentes.
O presidente Lula chegou ao velório às 9h de ontem (3), acompanhado pela primeira-dama, Janja Silva, e pelo Ministro dos Portos e Aeroportos Márcio França (PSB). O presidente ficou no local até o fim da celebração e saiu sem falar com a imprensa. Após isso, do lado de fora da Vila Belmiro, no início do cortejo fúnebre, um princípio de confusão foi registrado quando apoiadores do presidente levantaram coro com seu nome, e um grupo contrário que passava pelo local rebateu. O tumulto foi dispersado rapidamente. (Da Redação, com Estadão Conteúdo)