Brasileiros viajam a Santos para homenagear Pelé, a 'lenda dos mil gols'

Corpo do ex-jogador está sendo velado na Vila Belmiro, em Santos

Por Cruzeiro do Sul

Fans of late Brazilian football legend Pele gather outside the Urbano Caldeira stadium to attend his wake in Santos, Sao Paulo, Brazil on January 2, 2023. - Brazilians bid a final farewell this week to football giant Pele, starting Monday with a 24-hour public wake at the stadium of his long-time team, Santos. (Photo by Miguel SCHINCARIOL / AFP) Caption

Pedro e sua esposa Clady viajaram do Paraná. Carlos e seu filho Bernardo partiram do Rio de Janeiro. E Fernandes saiu de São Paulo. Todos quiseram prestar homenagem a Pelé, velado nesta segunda-feira (2) na Vila Belmiro, em Santos. "Não tem palavras, no futebol significou tudo", disse à AFP Pedro Stolber, de 71 anos, antes de entrar no estádio, a casa do Santos, onde o Rei jogou entre 1956 e 1974.

A Vila, com capacidade para 16 mil pessoas, é o cenário do velório de Pelé, que começou às 10h desta segunda-feira e vai durar 24 horas. Na terça-feira (3), o corpo do ídolo será sepultado em um cemitério da cidade portuária, em uma cerimônia reservada aos familiares. Com a camisa preta do 'Peixe', Stolber aguardava debaixo de um sol escaldante em uma longa fila até o centro do gramado do estádio, onde foi colocado o caixão de Pelé.

A seu lado estava sua esposa Clady, de 67 anos. Ambos iniciaram viagem do Paraná na sexta-feira, um dia depois da morte do único jogador a ganhar três Copas do Mundo (1958, 1962, 1970). "É emocionante ver o pessoal prestando homenagem a ele. Ele e o rei, né?", afirmou Clady.

Multidão alvinegra 

A maioria dos torcedores vestia camisas do Santos, que o craque tornou mundialmente famoso ao marcar 1.091 gols em 1.116 jogos e conquistar seis Campeonatos Brasileiros, duas Copas Libertadores e dois Mundiais nos anos 1960. "Eu não pude ver jogar pessoalmente, mas esse mito, essa lenda dos mil gols, é muito grandioso para mim", disse Cristian Abreu, um adolescente de 16 anos que mora em Santos e foi um dos primeiros a entrar na Vila Belmiro, onde chegou às 6h30 da manhã para o velório.

As arquibancadas do estádio foram decoradas com bandeiras em tributo a Pelé, falecido aos 82 anos. Algumas, pequenas, exibiam o número 10 que o eternizou; em outras, maiores, se liam mensagens como "Viva o rei" e "Pelé eterno".

"Brasil no mapa"

"O Brasil perdeu um ícone do futebol. O Brasil foi colocando no mapa-múndi através do Pelé. Ele levou o nome de Santos para o mundo inteiro, então tem que ser reverenciado", afirmou o motorista Fernandes José de Oliveira, de 56 anos, que viajou sozinho de São Paulo na manhã desta segunda-feira. Dentro do estádio, ao qual compareceram várias personalidades, entre elas o presidente da Fifa, Gianni Infantino, os presentes encontravam um corredor cercado por grades metálicas e podiam ouvir a música "Meu Legado", cantada por Pelé.

"Eu sou Pelé graças a vocês / Eu sou Pelé, meu legado é para vocês", entona 'O Rei'.

"Carismático" 

Embora em maioria, os santistas não monopolizaram a despedida: torcedores de outros clubes brasileiros também foram homenagear o ídolo. "Minha infância foi toda sob influência do que o Pelé fez pelo Brasil, nos jogos da Copa do Mundo", explicou o bancário Carlos Mota, de 59 anos, que viajou do Rio de Janeiro e chegou à Vila com uma camisa do Fluminense. Mota foi a Santos acompanhado do filho Bernardo, de 12 anos, que usava uma camisa do Barcelona da Espanha.

"Com o tempo, os jovens acabam tendo novas informações e é normal que as coisas fiquem um pouco esquecidas... Sempre falei para meu filho que são três coisas que não se discutem: que a bola é redonda, o gramado é verde e que Pelé é o maior", acrescentou o carioca.

Perto dele havia torcedores do São Paulo e do Corinthians, assim como várias pessoas com a camisa da Seleção. Nos muros dos arredores da Vila, pinturas em homenagem ao lendário ex-atacante, que em 21 anos de carreira só defendeu Santos, Brasil e New York Cosmos.

"Ele conquistou o mundo, era muito carismático", disse a enfermeira Kianny Sanches, de 29 anos, ao sair do velório depois de três horas de espera na fila. Ela carregava flores brancas, que esperava deixar junto ao busto e à estátua de Pelé em um corredor exterior do estádio. "Foi emocionante, triste, mas também um sentimento de gratidão por tudo o que ele fez pelo Brasil, pelo futebol brasileiro. A gente é reconhecido no mundo inteiro graças ao Pelé", lembrou Kianny. (AFP)