Pelé fez história na seleção e no Santos

Por Cruzeiro do Sul

O atacante e a atriz francesa Brigitte Bardot em 1971

Pelé estava afastado dos eventos públicos há anos por problemas no quadril que afetaram sua mobilidade, além de outras enfermidades. Em setembro de 2021, foi diagnosticado com um câncer depois da retirada de um tumor no cólon. No entanto, em suas limitadas aparições, na maioria das vezes em entrevistas ou em vídeos nas redes sociais, manteve intactos seu carisma e humor. E continuou torcendo pela seleção brasileira, como no Mundial de 2022, em que o Brasil foi eliminado nas quartas de final pela Croácia.

Como havia ocorrido com a repentina morte de Diego Maradona em novembro de 2020, o falecimento de Pelé provoca tristeza para todos os fãs do futebol. Seu incrível faro de gol, sua técnica apurada e um currículo invejável fizeram com que o camisa 10 brasileiro fosse considerado por muitos o maior jogador da história.

Em 2000, Pelé, que jogou praticamente toda a carreira pelo Santos, clube que defendeu por 18 anos, recebeu o prêmio de melhor jogador do século 20 por especialistas da Fifa, enquanto Maradona obteve o mesmo título na votação popular. “Espero que um dia possamos jogar bola juntos no céu”, disse Pelé quando o craque argentino morreu.

Ícone global

Boa parte da fama do Rei, nascido em 23 de outubro de 1940 em Três Corações, Minas Gerais, foi construída pelos feitos que alcançou em Copas do Mundo. Pelé é o único jogador a ter conquistado três Copas, embora tenha se lesionado no início do Mundial do Chile-1962, quando Garrincha assumiu o protagonismo.

O Rei estabeleceu nesses torneios alguns recordes e protagonizou jogadas e gols inesquecíveis, como o de cabeça na final contra a Itália no México-1970, a cereja no bolo daquela que muitos consideram a melhor seleção da história, na qual jogou ao lado de craques como Tostão, Rivelino, Jairzinho, Gérson, entre outros.

Também deixou sua marca na Copa da Suécia-1958, com 17 anos, tornando-se o jogador mais jovem a disputar uma final, a marcar um gol na decisão e a ganhar o Mundial, o primeiro dos cinco títulos brasileiros.

Pelé também marcou gols para dar e vender: foram 1.281 em 1.363 jogos em 21 anos de carreira, na qual vestiu apenas três uniformes, do Santos (1956-1974), do Cosmos (1975-1977) e da seleção (1957-1971).

Muitos talentos

O Santos, clube em que estreou profissionalmente aos 15 anos, deve a Pelé seis de seus oito títulos brasileiros, duas de suas três Libertadores e dois Mundiais de Clubes. O Rei também é o maior artilheiro da história da Seleção com 77 gols, ao lado de Neymar, que igualou sua marca na Copa do Catar.

Seu sucesso transcendeu outras esferas. Foi compositor, cantor, ator e ministro dos Esportes (1995-1998). Foi casado três vezes e teve sete filhos. “Dizer que me faltou algo para fazer seria de uma ingratidão muito grande. Só me falta ir à Lua”, afirmou à Fifa em outubro de 2020. Sua morte deixa o futebol com dez jogadores em campo. (Da Redação, com AFP)

Os números do Rei

Partidas - 1.375

Gols - 1.284

Média de gols por partida - 0,93

Recorde de gols em uma partida - 8 gols, em 21 de novembro de 1964, na partida Santos 11 x 0 Botafogo de Ribeirão Preto (superado por Dadá Maravilha na década de 1970)

Partidas pela seleção brasileira - 115 (92 oficiais)

Gols pela seleção brasileira - 95

Mais jovem artilheiro do Campeonato Paulista - em 1957, pelo Santos (fez 17 anos durante a competição)

Mais jovem campeão mundial - em 1958, com o Brasil (17 anos)

Mais jovem bicampeão mundial - em 1962, com o Brasil (21 anos)

Único jogador tricampeão mundial - em 1970, com o Brasil

Maior artilheiro em uma temporada do Campeonato Paulista - em 1958, com 58 gols

Maior número de temporadas como artilheiro do Campeonato Paulista - 11

Maior artilheiro em uma temporada - em 1959, com 127 gols