O primeiro grande teste da seleção

Sete anos após Copa de 2014, Brasil e Chile se reencontram em jogo eliminatório pela Copa América

Por Estadão Conteúdo

Gabriel Barbosa, o Gabigol, disputa com Gabriel Jesus a vaga de Roberto Firmino.

Sete anos depois das oitavas de final de Copa do Mundo de 2014, Brasil e Chile voltam a se enfrentar em uma partida eliminatória, agora pelas quartas de final da Copa América. A partida das 21h revive cenas marcantes, como o choro de Thiago Silva nos pênaltis. Embora seja favorito, o Brasil encara o seu grande teste no torneio já que o Chile mudou de patamar no cenário sul-americano depois daquela disputa. Por isso, a seleção treinou cobranças de pênaltis -- elas serão necessárias se houver empate no tempo normal. Tudo isso com um desafio adicional: o gramado do estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro.

A imagem de Thiago Silva afastado do grupo, sentado em cima de uma bola na beira do gramado, aos prantos, marcou o zagueiro em 2014. Suspenso no jogo seguinte, na semifinal contra a Alemanha, o defensor não teve culpa do massacre dos 7 a 1. Mesmo assim, ficou marcado. Ele só recuperou espaço na seleção meses depois. Nesta sexta-feira ele deve começar no banco de reservas -- Marquinhos e Éder Militão serão os titulares.

Aquela derrota foi marcante para os chilenos. Ainda no vestiário do estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, atletas como Claudio Bravo, Arturo Vidal, Gary Medel, Charles Aránguiz e Alexis Sánchez -- a base da equipe atual -- fizeram um pacto. Prometeram ganhar a Copa América do ano seguinte em casa. Conseguiram. Foi o primeiro da história da seleção chilena, que venceria também o torneio em 2016.

O que aconteceu sete anos atrás ajuda a entender o confronto do Engenhão. Tite resgatou essas conquistas recentes para mostrar respeito ao rival. “O Chile é bicampeão da Copa América nas duas anteriores às que o Brasil foi campeão, em 2019”, disse o treinador. “É uma seleção cascuda, que tem remanescentes dessas conquistas. É uma seleção que sabe muito bem administrar pressões, com jogadores acostumados a performar em adversidades. Que tem na imposição técnica o seu forte, principalmente no meio”, completou César Sampaio, auxiliar técnico da seleção.

A campanha atual, no entanto, não reflete essas glórias. Na Copa América, os chilenos venceram a Bolívia, empataram com Uruguai e Argentina e perderam para o Paraguai. Por isso, eles conquistaram a quarta e última vaga do Grupo A. Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, estão em sétimo lugar, fora da zona de classificação.

Além de um rival acostumado às decisões, o Brasil terá um rival “doméstico”: o gramado do Engenhão. Motivo de reclamação de Tite ao longo da fase de grupos, o piso virou até motivo de ironia de Neymar nas redes sociais. Tite desistiu de reclamar depois de ser multado pelas críticas. “Vou falar de campo ruim, vou ser multado. Se falar que foi atabalhoado (a organização do torneio), vou ser multado. Não vou falar nada”, declarou o treinador.

A escalação terá novidades. A principal delas deve ser a saída de Roberto Firmino, titular nas quatro primeiras rodadas das Eliminatórias e artilheiro do Brasil na competição, ao lado de Neymar, com três gols. O astro do Liverpool está em má fase. Gabriel e Gabriel Jesus foram testados no ataque. Os dois tiveram uma conversa reservada com o treinador na última quarta-feira. A disputa está aberta. (Estadão Conteúdo)

BRASIL X CHILE

Brasil - Ederson; Danilo, Éder Militão, Marquinhos e Renan Lodi (Alex Sandro); Casemiro, Fred, Richarlison e Lucas Paquetá; Neymar e Gabriel (Gabriel Jesus). Técnico: Tite

Chile - Bravo; Isla, Medel, Sierralta e Mena; Pulgar, Aranguiz e Vidal; Sánchez (Jean Meneses), Brereton e Vargas. Técnico: Martín Lasarte

Árbitro - Patricio Loustau (Fifa-Argentina)

Local - Estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro (RJ)

Horário - 21h