Esporte

Advogada de Sorocaba conquista medalhas nos Jogos para Transplantados

Luciane encontrou na corrida uma alternativa para superar seus limites
Atleta pós-transplante
Luciane e o marido, Antônio Carlos, nos Jogos Latinoamericanos. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

O que poderia ser um empecilho, foi a virada na vida da advogada Luciane de Lima, de 39 anos. Em 2014, ela descobriu que sofria de insuficiência renal e precisaria de um transplante para não depender de sessões de hemodiálise que a forçavam a passar várias horas por semana no hospital. Ela encontrou a ajuda que precisava dentro de casa: foi do marido que recebeu um rim que a permitiu recomeçar.

Desde então, adquiriu gosto pela prática frequente de esportes — em especial a corrida –, o que lhe rendeu a conquista de medalhas na disputa dos Jogos Latinoamericanos para Transplantados, realizados na Argentina no início do mês. De quebra, ela garantiu ainda vaga para a Olimpíada da modalidade, que acontecerá em agosto do ano que vem em Newcastle, na Inglaterra.

Depois de fazer o transplante, Luciane se mudou de Apiaí, sua cidade natal, para Sorocaba, e por meio de uma assessoria esportiva “descobriu” a paixão pela corrida. A partir de então, ela conheceu os jogos voltados para os transplantados e traçou a meta de participar. “Sempre pratiquei esportes, mas sem muita disciplina. Depois que comecei a fazer corrida, no ano passado, vi uma reportagem sobre a competição de transplantados. Me interessei, falei com os organizadores e comecei a treinar para isso”, conta.

Luciane não apenas aderiu, como levou o marido, Antônio Carlos, junto. “Ele é responsável por isso tudo, passou a praticar também e ficou super empolgado. Na Argentina ele era o único doador entre mais de 300 participantes. E vai ser o primeiro na Olimpíada também.” Os jogos para transplantados reúnem pessoas que passaram por diversos tipos de transplantes (renal, cardíaco, pulmonar e médula óssea, entre outros) com idade entre 5 e 70 anos.

Em solo argentino, Luciane conquistou medalhas de bronze na corrida de cinco quilômetros (Geral e por idade – 30/39 Anos) e nos 400 metros, além da prata no revezamento 4x400m. E, para a disputa mundial, em menos de um ano, ela pretende evoluir ainda mais e reduzir em pelo menos um minuto o seu tempo na prova de cinco quilômetros. “Lá o ritmo é bem mais forte. Estou me preparando para baixar tempo ver se consigo ficar entre as cinco melhores”, projeta.

Atualmente, ela integra o Time Brasil Transplantados, que foi à Argentina com 21 representantes, ligados à Associação Brasileira de Transplantados (ABTX).

Por conta do transplante, Luciane tem de tomar alguns cuidados. “Minha imunidade é igual à de uma criança. Não posso comer certos alimentos, nem tomar algumas vacinas”, explica. O mesmo se aplica ao marido dela, por conta da doação do rim. Mas nem por isso ela se deixa abater.

Aliás, luta pelo reconhecimento do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), já que atualmente os próprios competidores têm de arcar com todas as despesas para participar de competições internacionais, o que inviabiliza a ida para muita gente.

Comentários