UNISO CIÊNCIA


Estudo testa relação entre composição e resistência de cimentos nacionais




Você já se perguntou quais são os materiais mais utilizados pela humanidade? Talvez você se surpreenda ao saber que, em segundo lugar, está o concreto — que perde apenas para a água. Ainda assim, mesmo com essa ampla utilização, foi apenas por volta da primeira metade do século XIX que a proporção adequada dos materiais que constituem o concreto passou a ser uma preocupação. Entre esses materiais, o cimento tipo PORTLAND é o principal.

PARA SABER MAIS: O QUE É CIMENTO PORTLAND?
Cimento Portland é o nome atribuído ao material que, na construção civil, as pessoas costumam chamar simplesmente de cimento. A denominação data de 1824, quando o construtor inglês Joseph Aspdin queimou pedras calcárias e argila, chegando numa mistura que, depois de preparada e seca, tinha propriedades parecidas com as rochas da ilha de Portland, na Inglaterra. Essa mistura era bastante dura e não se dissolvia em água depois de seca, podendo ser utilizada na construção sem quaisquer problemas. No mesmo ano ela foi patenteada por Aspdin.

“O cimento tipo Portland, quando misturado com a água e outros materiais de construção, resulta nos diferentes tipos de concreto usados para a construção de casas, edifícios, pontes, barragens e muitas outras estruturas. Mas as características e propriedades desses concretos podem variar, dependendo da qualidade e das proporções dos cimentos de que são compostos”, explica o engenheiro Dawilson Menna Junior, mestre em Processos Tecnológicos e Ambientais pela Uniso.

Por isso o pesquisador defende que a análise química do cimento é particularmente importante para verificar a sua conformidade. “Determinar os elementos que constituem o cimento pode ajudar a prever os resultados de sua utilização na construção civil”, explica ele. Foi exatamente esse o objetivo de seu estudo de mestrado, considerando dez marcas diferentes de cimentos disponíveis no mercado brasileiro.

PARA SABER MAIS: QUAIS AS APLICAÇÕES DA XRF?
Trata-se de uma técnica utilizada em diversas áreas: da mineração — para identificar os elementos presentes num dado solo ou rocha — à restauração de obras de arte — possibilitando identificar elementos específicos nas tintas usadas para se pintar quadros séculos atrás. Por meio dela, é possível até mesmo monitorar a qualidade da água de rios e lagos, sem causar nenhum dano à amostra em si. Na primeira edição do Uniso Ciência, você conferiu como uma outra pesquisa da Uniso utilizou a mesma técnica para analisar a composição da saliva de fumantes.

ANÁLISE EM DUAS ETAPAS
Primeiramente, o pesquisador precisava conhecer quais eram os elementos químicos existentes em cada uma das amostras. Para isso, ele utilizou uma técnica conhecida como FLUORESCÊNCIA DE RAIOS-X (XRF), por meio da qual os elétrons presentes nos átomos de uma determinada amostra são estimulados por radiação, o que faz com que sejam emitidos fótons, radiação eletromagnética idêntica à luz visível (que pode ser quantificada por instrumentos adequados, porém num comprimento de onda que a torna imperceptível para o olho humano). Essa luz é então analisada e faz com que seja possívelsaber exatamente quais elementos constituem a amostra — neste caso, os cimentos. Essa primeira etapa aconteceu no Laboratório de Física Nuclear Aplicada da Uniso (Lafinau).

Alumínio (Al), cálcio (Ca), cloro (Cl), ferro (Fe), potássio (K), silício (Si), enxofre (S), titânio (Ti), cromo (Cr), manganês (Mn), zinco (Zn) e estrôncio (Sr) foram os principais elementos identificados, em diferentes quantidades dependendo da amostra. “Essas quantidades determinam características como resistência à corrosão e resistência mecânica em diferentes momentos do processo de ‘envelhecimento’ do cimento”, explica o pesquisador.

Tendo em mãos as composições químicas, o próximo passo de Menna Junior foi usar as dependências do Laboratório de Materiais de Construção Civil da Uniso para produzir corpos de prova cilíndricos feitos de argamassa e determinar a resistência mecânica de cada um deles — em outras palavras, verificar por meio de uma prensa pneumática quanta pressão cada corpo de prova era capaz de suportar antes de ruir.

“Este estudo confirma a correlação entre a composição química do cimento e sua resistência mecânica, além de demonstrar como a técnica de XRF, amplamente utilizada em fábricas de cimento no mundo todo, é adequada para o controle de qualidade durante o processo de produção, garantindo ao consumidor final as propriedades do concreto”, conclui.

Texto elaborado com base na dissertação “Avaliação físicoquímica de cimentos tipo Portland produzidos no Brasil, através da técnica de fluorescência de raios-x e resistência mecânica”, do Programa de Pós-Graduação em Processos Tecnológicos e Ambientais da Universidade de Sorocaba (Uniso), com orientação do professor doutor José Martins de Oliveira Junior e aprovada em 6 de junho de 2016. Acesse a pesquisa: https://goo.gl/MzPWdi


Pesquisa da Uniso desenvolve curativo à base da proteína do abacaxi




Uma pesquisa desenvolvida pela professora Angela Faustino Jozala, do Mestrado Profissional em Processos Tecnológicos e Ambientais, em parceria com a Unicamp, resultou no desenvolvimento de um curativo, no formato de gel, feito da bromelina, a proteína do abacaxi, com função cicatrizante para ferimentos, queimaduras e feridas ulcerativas.

Após a publicação na Revista Fapesp, o trabalho ganhou repercussão na imprensa nacional e internacional, como na Agência Reuters e na BBC.

Conforme explica a pesquisadora, os estudos em laboratórios identificaram que a bromelina, a proteína do abacaxi, associada à nanocelulose bacteriana aumenta em dez vezes a atividade antimicrobiana, com isso, recuperando mais rapidamente a pele. “As próximas etapas contemplarão testes com o objetivo de disponibilizar o novo medicamento no mercado farmacêutico, o que deve levar mais alguns anos, conforme procedimentos exigidos no País”, explica.

Na Uniso, a pesquisa conta com a participação de professores e estudantes da Graduação e da Pós-Graduação e parte dela foi desenvolvida pela aluna de Engenharia Ambiental, Nathalia Mendes, pesquisadora do Programa de Iniciação Científica da Universidade. Os trabalhos estão sendo realizados no Laboratório de Microbiologia Industrial e Processos Fermentativos (Laminfe).

Conheça mais sobre o projeto na Revista Fapesp: https://goo.gl/VJvHGh.


A nova imagem do idoso e os significados construídos pela Publicidade




Em 1933, Vinícius de Moraes publicou o poema Velhice, em que reforça a imagem de que ser velho era um fardo. Talvez, essa fosse a imagem de um ancião para a sociedade àquela época. Foi contra significados equivocados como esse que o professor e publicitário Bruno Antonio da Silva Martins estudou a temática na dissertação “Marca e Publicidade: a Ressignificação da Velhice”, no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba (Uniso).

Martins afirma que a publicidade cria valores relativos à velhice e, diante disso, questiona: “em que medida, tal movimento pode contribuir para a ressignificação deste período da vida?” Essa questão-chave norteia o trabalho acadêmico que lhe rendeu o título de mestre. Martins parte do pressuposto de que os períodos da vida são socialmente construídos e isso acontece vinculado às mídias, uma vez que seus produtos fazem parte do cotidiano.

Então, ele analisa a relação entre as marcas e a periodização da vida. Martins trabalhou com peças publicitárias impressas e audiovisuais exibidas de 2011 a 2014. Encontrou análises sobre idosos em inúmeras frentes: na música, na mídia tradicional, nos livros e nas produções acadêmicas.

Ele discute relação entre marca e publicidade, bem como apresenta a noção da marca pós-moderna, e as transformações delas ao longo do tempo. Na dissertação, o leitor tem a explicação do conceito de signo que torna possíveis interpretações atreladas ao real, contribuindo para incorporar novos significados à velhice e explicações sobre as estratégias que permitem trazer à tona o potencial das peças publicitárias de engendrar valores relativos a ela.

Martins também se debruça a compreender a velhice como construção social, e é lá que ele apresenta aspectos da velhice e sua relação com o corpo. Com esse olhar multifacetado, a partir de interpretações de peças publicitárias, apresenta possíveis valores relacionados à velhice propostos pelas marcas. Martins viu que a publicidade associa a imagem do idoso a temas contemporâneos para pautar como e quem deve ser o idoso. “Quando a gente coloca a ressignificação do idoso é basicamente como a publicidade mostra ele. E, obviamente, a publicidade, como uma instituição que quer fomentar o aspiracional, vai mostrar um idoso que entende de tecnologia, um idoso que é jovem. As campanhas não terão mais o idoso coitado”.

Martins conclui, então, dizendo que “as representações do idoso, nas peças publicitárias analisadas, reafirmam o que (a professora de Antropologia Guita Grin) Debert sinalizou sobre o fato de que os idosos se apresentam como pessoas capazes e prontas para enfrentar os novos desafios que o cotidiano lhes impõem, em contraponto aos estereótipos vinculados a essa idade da vida, que são construídos em função de processos degenerativos inerentes à idade avançada.”

Se Vinícius de Moraes fosse vivo e lesse a dissertação de Martins, certamente o boêmio mais ilustre desse país teria cantado a velhice mais como uma Bossa Nova do que como fardo a ser carregado no fim da vida.

Texto produzido com base na dissertação “Marca e Publicidade: a Ressignificação da Velhice”, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba (Uniso), feita sob orientação da professora doutora Maria Ogécia Drigo e aprovada em 2016. Acesse a pesquisa: https://goo.gl/CaiYmE