ARTIGOS


Fast Track




Flavio Amary

Estamos retomando um ciclo de recuperação econômica em nosso país. Os indicadores nos mostram melhoras generalizadas e sinalizam a retomada em todos os setores da economia.

Entretanto, a retomada do nível de emprego está demorando, um pouco mais, para acompanhar os outros indicadores, sendo fundamental para que haja crescimento econômico. Como disse o recém-empossado ministro da Fazenda, de nada adianta inflação baixa sem a recuperação do emprego.

O setor da construção é forte empregador, pois é, ainda, uma indústria não robotizada e de grande necessidade da mão de obra. Mas ao mesmo tempo que podemos colaborar, fortemente, para criar empregos e ativar a economia, vivemos um aumento da burocracia e uma dificuldade crescente de aprovar e licenciar projetos.

Em todas as esferas de governo, e em todas as regiões do país, a cada dia, são criadas mais restrições; onerando, burocratizando e dificultando os investimentos e a geração de emprego e renda.

Com toda a dificuldade de aprovar projetos públicos e privados a economia formal é postergada. Crescem os espaços para os clandestinos, ilegais para, posteriormente, criarmos leis de anistia, regularizações e tantas outras que nosso país está ficando especialista.

Nada racional e totalmente contraproducente. Poderia citar inúmeros exemplos e, como disse, em todas as esferas de governo. Escolhi apenas um para ilustrar este texto: em 2015, em um gabinete da sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístíco Nacional (Iphan), foi editada a instrução normativa 01/2015 que, de forma simplista, obriga, praticamente toda atividade imobiliária e boa parte da agropecuária, de todo país, a contratar um arqueólogo para um estudo prévio, além de um acompanhamento técnico antes e durante um empreendimento.

Importante salientar que existe um estudo de todo o território nacional, onde podem existir os sítios arqueológicos, e que o trabalho precisa ser feito em todo o território nacional, independentemente de constar ou não nestes sítios arqueológicos.

Não precisa ser nenhum conhecedor para imaginar que não existem profissionais suficientes para serem contratados e nem mesmo para analisar todos esses processos. O que aconteceu? Mais um gargalo imenso para se licenciar e aprovar projetos. Por vontade de desburocratizar e pela competência e racionalidade o ex-secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo, Ricardo Salles, fez com que pelo menos em nosso Estado, para aprovar bastasse o protocolo, mas para a liberação final ainda se faz necessária aprovação e análise do Iphan.

Estamos na contramão, precisamos exatamente do oposto. Um pacto de incentivo ao investimento, respeito por aqueles que arriscam capital e buscam neste país, de inúmeras incertezas, gerar emprego e renda, principalmente quando estamos falando em atender a população de mais baixa renda e que precisa ter acesso à moradia. O investimento privado se faz necessário e deveria ser visto pelo poder público, Ministério Público e burocratas, em geral, como uma forma de aumentar a arrecadação de impostos, diminuir o déficit habitacional e gerar renda e emprego.

O que fazemos hoje, muitas vezes, são discursos de incentivo ao investimento e à segurança jurídica, mas o que de fato está acontecendo é um aumento constante na restrição, burocracia e engessamento e desincentivo à atividade empreendedora em nosso país.

Proponho que seja criado, em nossa cidade, para aqueles que querem investir e sempre obedecendo as regras e leis estabelecidas, um fast track (caminho rápido), ou seja, uma forma de não deixar parados os processos de aprovação, licenciamento nos gabinetes, e na burocracia nada inteligente que, a cada dia, nos faz gerar menos empregos e colaborar, negativamente, para os 12 milhões de brasileiros que precisam de um endereço comercial.

Flavio Amary é presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) e reitor da Universidade Secovi - famary@uol.com.br


Visualizar o amor de Deus na vida e no outro




Geraldo Bonadio

Você foi agraciado pela vida com olhos sadios e acurados, capazes de distinguir e apreciar tudo quanto existe de belo e de bom no mundo que o rodeia? Dê graças ao Altíssimo pelo que lhe foi concedido, empenhe-se em derrubar os muitos muros que os humanos têm o vezo de erguer e rejeite as exceções que tantos querem nos impingir.

"A vida não é só isso que se vê / É um pouco mais / que os olhos não conseguem perceber / e as mãos não ousam tocar e os pés se recusam pisar" -- ensina o filósofo Paulinho da Viola. Cabe a nós, dia após dia, ampliar nossa capacidade de ver e tocar. Somente esse aprofundamento permite apreciar a beleza ao nosso redor, distinguindo-a da feiura semeada pela insensatez humana, que devemos corrigir pelo exercício da misericórdia, da compreensão e da colaboração.

O Senhor não nos permite enxertar exceções no mandamento do amor ao próximo, à vida e ao mundo que nos compete administrar em proveito dos atuais e futuros habitantes do planeta, aí incluídas todas as formas de vida animal e vegetal sem as quais ele seria só mais um entre bilhões de rochas estéreis distribuídas pelo universo.

O franciscano Richard Rohr, mestre da oração contemplativa, destaca: "O único caminho que eu conheço para louvar a Deus e ensinar a você como fazê-lo é amar aquilo que Deus ama. Amar a Deus significa amar às pessoas e às coisas... sem exceções."

A trajetória humana sobre a Terra tem sido marcada por divisões que se enraízam no ódio, na incompreensão, na rejeição do outro, das classes sociais que não são a nossa, do estrangeiro e dos que trilham os caminhos da fé por estradas diferentes da nossa. Aprendemos a enxergar os que não fazem parte do nosso grupo como elementos a serem contidos, inspecionados, barrados e, até, eliminados.

Enquanto os construtores de muros forem em maior número e mais ágeis que aqueles que erguem pontes, não haverá paz e harmonia entre as pessoas nem entre elas e a natureza que as cerca.

Jamais conseguiremos proteger escolas de ataques assassinos colocando uma arma na mão dos professores. É tolice apostar na "violência preventiva" no "vamos almoçá-los antes que eles nos jantem". Escolhas enganosas como essa somente ampliam o desassossego que aspiramos eliminar.

"Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos que ele ama!"

Evangelho de Lucas 2:14 Nova Bíblia Pastoral
Geraldo Bonadio é jornalista. geraldo.bonadio@gmail.com