ARTIGOS


O amanhã começa hoje




Geraldo Bonadio

Todos os projetos que você traça para o dia de amanhã podem, em maior ou menor grau, serem afetados por fatores que escapam à sua capacidade de prever. À noite, você acessa o canal do tempo ou consulta, na internet, a previsão meteorológica para o dia seguinte. As primeiras horas do dia, sai da cama, escancara a janela do quarto esperando por um dia de sol e constata que um toró sem tamanho está caindo sobre a cidade.

Tais surpresas sempre são possíveis e desorganizam a agenda mesmo de planejadores experientes. Constituem a famosa exceção que confirma a regra. Mesmo assim, crie o hábito de começar hoje o seu amanhã.

Acostume-se a driblar o inesperado sem maiores dramas. Com naturalidade, antes de recolher-se ao leito, deixe à mão aquilo de que terá necessidade ao acordar: roupas, calçados, documentos, dinheiro. Assim, criará ao seu redor um bolsão de serenidade que o habilitará a ser eficiente sem estresses.

Cuidar da higiene pessoal, vestir-se com tranquilidade, tomar café com a família e só depois, sem atropelos, colocar-se ao volante do carro e dirigir até o local de trabalho, vendo nos motoristas com quem partilha as ruas e avenidas iguais e não inimigos a serem destruídos, são coisas que não têm preço. Elas o predispõem a assumir o seu posto de trabalho com a respiração sob controle, um sorriso acolhedor no rosto e vontade de dar o melhor de si em cada tarefa a cumprir.

Alguma coisa fugiu ao roteiro? Não se inquiete. Redefina as ações necessárias e continue a navegar pelo dia com a satisfação de quem faz o que sabe e gosta.

Criadas essas disposições favoráveis, entregue o andamento das coisas nas mãos de Deus. Quando você faz a parte que lhe cabe, ele faz a dele e garante que tenha, sobre si, as bênçãos para que todas as suas iniciativas sejam bem-sucedidas.

"Com Deus faremos proezas. (...)"

Salmo 108:13 Nova Bíblia Pastoral
Geraldo Bonadio é jornalista. geraldo.bonadio@gmail.com


Filmes de Kieslowski são exibidos hoje na Fundec Psiquiatra e psicanalista Hang-Ly comenta episódios 3 e 4 de "Decálogo"




Nildo Benedetti
nildo.maximo@hotmail.com
Hang-Ly Ikegami Rochel, psiquiatra e psicanalista da International Psychoanalytical Association, é o convidado do projeto Cine Reflexão, da Fundec, para comentar hoje os episódios 3 e 4 de "Decálogo", de Krzysztof Kieslowski.

*

O título do "Decálogo 3" é "Guardarás domingos e festas sagradas".

Com frequência, as festas de Natal e Ano Novo fazem aflorar nostalgia dos ausentes e das outras festas celebradas com maior alegria, lembranças da infância, decepções porque os objetivos pretendidos não foram realizados e assim por diante.

É noite de Natal. Janusz, um taxista, é contatado por telefone por Ewa, com quem manteve uma relação extraconjugal no passado; o rompimento ocorreu há três anos e ela também já era casada na ocasião.

Janusz dá uma desculpa à família e se encontra com Ewa. Esta está preocupada porque o marido saiu de casa naquele dia e não voltou. Ambos visitam o necrotério, hospitais, delegacia de polícia, estação central ferroviária.

Um dos aspectos marcantes deste episódio de "Decálogo" é a solidão. Solidão do bêbado na rua, da criança que tenta fugir do hospital, do médico de plantão no hospital, da tia de Ewa e da própria Ewa. Mas, além da solidão e a desolação que parece a todos atingir, em menor ou maior grau, a mentira é o recurso das personagens para sair das situações constrangedoras que geralmente acompanham as relações extraconjugais. Por exemplo, é com uma mentira -- a de que seu táxi foi roubado -- que Janusz justifica sua saída de casa na noite de Natal.

*

O "Decálogo 4" tem por título "Honrarás ao pai e à mãe".

Em todo o "Decálogo", os mandamentos são apresentados em situações paradoxais e inusitadas; mas neste quarto capítulo, essa característica é particularmente acentuada. E, assim como no capítulo anterior, a mentira parece servir de fundamento à vida dos dois protagonistas.

No início do filme, vemos um homem de meia idade e uma jovem em um apartamento. Os dois conversam e brincam como o par de um casamento feliz, mas a seguir descobriremos que são Michal e sua filha Anka. Eles vivem sós, o pai a educou, porque a mãe da moça faleceu cinco dias depois do parto.

Michal faz uma viagem a trabalho e, no aeroporto, pede à filha que pague algumas contas que estão na gaveta de uma escrivaninha. Na gaveta, a moça acha um envelope fechado em que o pai escreveu que deverá ser aberto depois de ele morrer. Ela não resiste à tentação e, hesitante, abre o envelope. Dentro há outra carta fechada, dirigida a ela pela mãe falecida. Quando se prepara para abrir a segunda carta, vemos a personagem que representa o anjo a que nos referimos no artigo que serviu de introdução a esta mostra de "O decálogo", que serve como aviso do risco da transgressão. Ela desiste, mas, imitando a letra da mãe, faz uma falsa carta e a mostra ao pai quando este retorna da viagem, alegando ser a carta original da mãe. Os acontecimentos desencadeados pela falsa carta farão expor a complexidade psicológica das relações de pai e filha.

Na próxima semana serão exibidos os "Decálogos" 7 e 8.

Cine Reflexão
"Decálogo" de Krzysztof Kieslowski: capítulos 3 e 4
Hoje às 19h na Fundec (rua Brigadeiro Tobias, 73)
Entrada gratuita