ARTIGOS


Criadores de sapos




Geraldo Bonadio

Nas histórias de fadas há sempre uma bruxa malvada que transforma príncipes em sapos. E, naturalmente, uma princesa compassiva que os reconverte em príncipes.

Você não tem uma vara de condão, mas vive a fazer "mágicas" semelhantes, sem se dar conta disso.

Quem só vê no outro -- filho, colega de trabalho, cônjuge, irmão -- um pacote de defeitos e problemas e os trata como tal, transforma em sapo quem Deus criou para ser príncipe.

Quem se interessa sinceramente pelo semelhante, busca descobrir e avivar os traços positivos nele presentes. Auxilia a viver como príncipe aquele que se julga condenado a ser sapo para todo sempre.

Nada mais eficiente, para se executar a "mágica" de levar o próximo a mudar para melhor que o elogio sincero. Quando você cumprimenta alguém com entusiasmo verdadeiro, por algo que fez ou disse, ajuda essa pessoa a descobrir ou redescobrir, dentro de si, reservas de inteligência, dedicação, iniciativa ou bondade que ele mesmo -- um pouco por timidez, outro tanto por acomodação -- não valorizava adequadamente.

Quando despertamos uma pessoa para suas próprias qualidades, fazendo-a consciente dos dons que o Deus Eterno colocou em seu interior, auxiliamo-la a progredir na vida e, aumentando sua autoestima, tornamo-la mais feliz.

"Palavras bondosas são como mel: doces para a alma e saudáveis para o corpo."

Provérbios 16:24 Nova Versão Transformadora
Geraldo Bonadio é jornalista. geraldo.bonadio@gmail.com


O preço da mentira é alto




Geraldo Bonadio

Resolver um problema que nos aborrece recorrendo a uma mentira, pequena ou grande, é tão insensato quanto pedir dinheiro emprestado ao agiota para pagar uma prestação em atraso. A pessoa nem tem tempo para respirar aliviada com a aparente solução do problema e o novo credor, mais ambicioso e violento que o anterior, já esmurra sua porta, cobrando o que lhe é devido.

A boneca Emília, num dos livros infantis de Monteiro Lobato, distingue entre mentira má e mentira boa, defendendo o uso desta. A diferença só existe na fértil imaginação da mais encantadora habitante do Sítio do Pica-pau Amarelo.

A mentira é uma sucessão de pontos sem nó. Para preservar a primeira, que pode até ter sido pequena e inofensiva, quem fez uso dela precisa se socorrer de outra, maior e mais perigosa -- e assim sucessivamente. Nesse processo, sua credibilidade escorre pelo ralo. As pessoas de seu convívio, sentindo que falta firmeza à sua argumentação, começam a suspeitar que você esconde alguma coisa séria e grave, por motivos obviamente ruins.

Mesmo à custa de muita contrariedade, fale sempre a verdade. Com isso você se livra da necessidade de inventar uma estória nova em intervalos cada vez mais curtos e deixa de atolar-se no brejo da falsidade.

Reconhecer erros, admitir falhas, suportar o ônus de corrigir o que não foi realizado a contento nada tem de fácil ou agradável. A um primeiro exame, o preço a pagar parece alto. A contrapartida, porém, é mais do que compensadora. A verdade garante um alívio real e persistente, restabelece a paz interior e abre o caminho para um entendimento sincero com as pessoas de seu convívio -- coisa que a mentira jamais consegue proporcionar.

"O Senhor detesta lábios mentirosos, mas aqueles que praticam a verdade são o seu prazer."

Provérbios 12:22 Nova Almeida Atualizada
Geraldo Bonadio é jornalista. geraldo.bonadio@gmail.com