ARTIGOS


Quem fez suas roupas?




Sofia Coelho Moreira

Normalmente a pergunta que vem à cabeça de alguém que está fazendo compras ao provar uma roupa é: "Ficou boa essa roupa em mim?". Dificilmente a pessoa se perguntaria: "Quem será que fez minhas roupas?". Mas será que esta pergunta realmente não é relevante?

O setor têxtil é um dos que demanda maior mão de obra humana, e o valor dessa mão de obra é um fator chave na decisão das grandes empresas de fast fashion para alocar suas produções fabris. Dessa maneira, países como Bangladesh, China e Indonésia se tornam alvo para implantação do sistema produtivo pois possuem mão de obra extremamente barata. A condição dos trabalhadores, em sua maioria mão de obra feminina, se torna mais crítica devido à ausência de leis trabalhistas que favoreçam sua condição e devido à dificuldade de monitoramento de trabalhadores "indiretos" de grandes marcas.

Essa dependência que a indústria têxtil tem da mão de obra humana e as práticas listadas no parágrafo anterior podem configurar um sistema de "escravidão moderna", que precisa ser repensado. A que preço estamos pagando nossas necessidades de consumo, e essas são realmente necessárias? Há opção para consumir de maneira mais justa?

Nesse sentido, um acidente em Bangladesh no dia 24 de abril de 2013 chamou a atenção da mídia e começou a mudar o olhar de pessoas do meio sobre a moda. O desabamento do prédio Rana Plaza, construção em condição precária que alocava trabalhadores têxteis, deixou mais de 1.133 mortos e mais de 2.500 feridos gravemente. O conselho formado por líderes da indústria da moda sustentável, ativistas, imprensa e academia se uniu após o acidente e iniciaram o movimento chamado Fashion Revolution Day, que leva a mesma data do acidente 24 de abril, e completa 5 anos hoje. Desde 2014, na mesma data do acidente, ações de conscientização sobre os aspectos obscuros da indústria da moda foram e são evidenciados.

Em pouco tempo este movimento, inicialmente nascido de ativistas em Londres, tornou-se global, ganhando também representatividade no Brasil. O Fashion Revolution Day cresceu e se tornou Fashion Revolution Week. Ao longo de uma semana, em diversas cidades do mundo, acontecem eventos e ações para aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto social e ambiental em todas as fases do processo de produção e consumo.

Este ano, o Fashion Revolution Week acontece mundialmente nesta semana, dos dias 23 a 29 de abril, encorajando o máximo de pessoas a se juntar ao movimento, perguntando à marcas e varejistas "#quemfezminhasroupas". Em Sorocaba, o Fashion Revolution Week estará presente com três eventos esta semana. Hoje, dia 24, no Studio Karuna de Yoga, com uma roda da conscientização seguida de prática de yoga e meditação; amanhã, quarta-feira, dia 25, na Unesp, com a exibição do documentário "River Blue"; e dia 27, na Esamc, com bazar de troca, oficina de bolsas de retalho e roda da conversa sobre sustentabilidade e responsabilidade na moda. O local, horário e programação completa pode ser conferido no evento ofical do facebook "Fashion Revolution Week Sorocaba" (https://www.facebook.com/events/210738429512539/). Eventos das demais localidades do mundo podem ser localizados no site https://www.fashionrevolution.org/events/.

Vivemos em tempos de estímulo ao consumo, o que cria um vínculo muito superficial entre o consumidor e o produtor. Nossos hábitos de consumo incentivam mudanças na maneira de produção. Com mais consumidores conscientes pensando de forma diferente sobre o que vestem, a indústria terá que se adequar ao novo comportamento. Isso torna a ação individual uma arma poderosa de mudança quando vista da ótica coletiva.

Sofia Coelho Moreira é engenheira ambiental, mestranda em Ciências Ambientais (ICTS Unesp Sorocaba) e representante do Fashion Revolution em Sorocaba.


Criadores de sapos




Geraldo Bonadio

Nas histórias de fadas há sempre uma bruxa malvada que transforma príncipes em sapos. E, naturalmente, uma princesa compassiva que os reconverte em príncipes.

Você não tem uma vara de condão, mas vive a fazer "mágicas" semelhantes, sem se dar conta disso.

Quem só vê no outro -- filho, colega de trabalho, cônjuge, irmão -- um pacote de defeitos e problemas e os trata como tal, transforma em sapo quem Deus criou para ser príncipe.

Quem se interessa sinceramente pelo semelhante, busca descobrir e avivar os traços positivos nele presentes. Auxilia a viver como príncipe aquele que se julga condenado a ser sapo para todo sempre.

Nada mais eficiente, para se executar a "mágica" de levar o próximo a mudar para melhor que o elogio sincero. Quando você cumprimenta alguém com entusiasmo verdadeiro, por algo que fez ou disse, ajuda essa pessoa a descobrir ou redescobrir, dentro de si, reservas de inteligência, dedicação, iniciativa ou bondade que ele mesmo -- um pouco por timidez, outro tanto por acomodação -- não valorizava adequadamente.

Quando despertamos uma pessoa para suas próprias qualidades, fazendo-a consciente dos dons que o Deus Eterno colocou em seu interior, auxiliamo-la a progredir na vida e, aumentando sua autoestima, tornamo-la mais feliz.

"Palavras bondosas são como mel: doces para a alma e saudáveis para o corpo."

Provérbios 16:24 Nova Versão Transformadora
Geraldo Bonadio é jornalista. geraldo.bonadio@gmail.com