Economia

Usados movimentam mercado de carros

Crise fez maioria optar por veículos com anos de uso em vez de zero-quilômetro, mais caro
Usados movimentam mercado de carros
No Brasil, mais de cinco veículos usados são comercializados a cada um novo. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS

A procura por carros usados é cinco vezes maior do que por zero quilômetro, segundo relatório da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A frota atual de veículos em Sorocaba, segundo o Detran-SP, é de 490 mil veículos e o número de veículos zero-quilômetro diminuiu 36,5% nos últimos seis anos.

Em todo o ano passado, de acordo com a Fenabrave, 15.720 automóveis e comerciais leves novos foram registrados em Sorocaba. No ano de 2013 a quantidade de veículos zero-quilômetro nas mesmas categorias e condições era de 24.757.

O que acontece em Sorocaba é semelhante ao cenário de muitos municípios brasileiros, pois a crise econômica que o País vem tentando superar fez com que as pessoas adiassem a compra de veículos novos. A relação entre automóvel usado para cada carro novo comercializado em todo o Brasil ficou em 5,2 no mês de janeiro deste ano.

Em Sorocaba e em outras cidades, conforme a Fenabrave, há menos veículos fabricados em anos recentes do que no período anterior a 2013. Com isso, os donos costumam conservar ainda mais seus carros, fazendo manutenções e revisões periódicas. As oficinas e lojas de autopeças, automaticamente, são mais procuradas e as lojas de seminovos e usados comemoram a preferência.

Vendas em alta

Nas lojas torna-se bastante comum que motoristas optem por trocar seus carros por um modelo mais novo, mas ainda assim usado. “Muitas vezes com um valor até mais baixo, o consumidor consegue comprar um carro com pouco tempo de uso, mas com vários itens opcionais. Se ficasse com um zero, acabaria levando um mais básico”, diz João Alberto Schimidt, vendedor na loja Overcar.

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Para 2020, ele considera que a expectativa é boa e que as vendas devem crescer em relação ao ano passado. “O mercado está melhorando e o País como um todo está se estabilizando, então acredito na recuperação”, disse o vendedor, que lembrou que as taxas para compra de veículos, sejam novos, seminovos ou usados não diferem tanto. “O que pesa para o comprador é realmente se o carro será mais completo”, destacou.

Na Felivel, segundo Renê de Souza, gerente de seminovos da loja, as vendas entre zero-quilômetro e seminovos estão equilibradas, mas em 70% das negociações os clientes optam pelo financiamento. “No nosso setor de seminovos temos carros de R$ 20 mil até R$ 120 mil, multimarcas”, diz Souza, que também espera que 2020 seja um ano melhor que os anteriores.

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Seminovos são opção econômica aos modelos novos. Crédito da foto: Fábio Rogério / Arquivo JCS (27/2/2020)

No setor de seminovos da Automec, as vendas em janeiro foram 30% maiores comparadas com o mês anterior, dezembro de 2019. “A taxa de financiamento para seminovo também está atrativa e há opções de 1%, 1,2%, o que facilita para que o cliente leve para a casa o carro que deseja sem extrapolar o orçamento”, observa o gerente de seminovos da loja, Paulo José Vieira Junior.

Ele conta que as opções são variadas e na loja Castelinho há carros que vão de R$ 15 mil a R$ 350 mil. “É possível economizar cerca de R$ 10 mil quando se opta por um seminovo em comparação ao mesmo modelo zero-quilômetro”, frisou.

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A documentação, lembra Vieira, também é um atrativo, já que ao adquirir um carro novo, o cliente precisa pagar o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) proporcional ao mês do ano, já no caso do automóvel usado, o vendedor costuma oferecer o IPVA já quitado.

Cenário gera oportunidades de negócios

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Doraci da Cruz financiou um carro seminovo. Crédito da foto: Fábio Rogério (8/3/2020)

O aposentado Doraci Rolim da Cruz, 59, vinha há algum tempo estudando o melhor negócio e acabou fazendo a chamada troca com troco. “Eu queria um carro melhor, mais novo, mas também não queria ficar sem nenhum dinheiro”, contou. Na Automec ele acabou deixando o seu Chevrolet Corsa, que segundo ele, foi bem avaliado, conseguiu um valor de volta e financiou a diferença para agora ter um Chevrolet Cobalt. “No valor que ele está levando o Cobalt seminovo, ele conseguiria pegar um Ônix básico zero”, exemplificou o gerente do setor.

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Se a oportunidade é boa para quem compra um seminovo, para quem trabalha com manutenção de carros o momento também é interessante. Segundo o mecânico Benedito Augusto Souza, que tem uma oficina no Jardim Maria Antônia Prado, na zona norte de Sorocaba, os clientes são fiéis e se preocupam com as condições do carro. “Hoje a gente vê que mesmo um carro mais antigo pode ser vantajoso se estiver bem cuidado e eu tenho muitos clientes que trocaram de automóvel, mas ainda preferiram o usado, pelo custo mesmo”, disse.

Muitos motoristas, conta Souza, quando vão comprar um seminovo, pedem para que o profissional faça uma avaliação e dê o parecer sobre as condições mecânicas do carro. “Além de ter certeza que a documentação está em dia, saber se a mecânica é boa é fundamental.” Alguns clientes, conta, ficam com o mesmo carro por vários anos, outros optam por trocar com frequência, por medo da desvalorização. (Larissa Pessoa)

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