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Economia

Preço da cesta básica em Sorocaba tem aumento de 4,43% no ano

O índice ultrapassou o valor da inflação, que teve um acúmulo de 2,60%
Preço da cesta básica em Sorocaba tem aumento de 4,43% no ano
O preço da cesta aumentou 4,43% entre janeiro e setembro de 2019, chegando a custar R$612,09. Crédito da foto: IDEME

Quem vai ao supermercado rotineiramente já deve ter percebido a diferença no bolso: o preço dos itens que compõem a cesta básica aumentou mais do que a inflação em 2019, na cidade de Sorocaba. Os dados são do Laboratório de Ciências Sociais Aplicadas (LCSA) da Universidade de Sorocaba (Uniso). De acordo com o último boletim divulgado, o preço da cesta aumentou 4,43% entre janeiro e setembro de 2019, chegando a custar R$612,09, enquanto no mesmo período a inflação teve um acúmulo de 2,60%.

Quando os dados de setembro são comparados aos de agosto deste mesmo ano, verifica-se um aumento de 0,53% (o que representa um gasto extra de R$3,21 para o consumidor). A título de comparação, a variação de julho para agosto foi de -0,69% (o que representou uma economia de R$ 4,24 no bolso dos sorocabanos). Já em comparação a setembro de 2018, os preços já subiram 7,48%, o que significa que o consumidor está pagando R$42,62 a mais pelos mesmos produtos em relação ao ano passado.

Dos 34 itens pesquisados pelo LCSA, 17 ficaram mais caros em relação a setembro — no mês passado, pelo contrário, 16 haviam ficado mais baratos. Entre os produtos que tiveram maior aumento, merece destaque a carne de primeira, que alcançou a marca de R$23,97/kg. O item vinha passando por um período de queda até o mês passado, devido à baixa demanda no mercado doméstico, que dá sinais de estar se aquecendo novamente. Como a carne costuma ser um item comprado pelos consumidores em maior quantidade do que outros produtos, ela acaba se tornando um dos grandes vilões para o bolso do consumir.

Em contrapartida, a cebola, que vinha apresentando aumento nos preços durante sete edições consecutivas da pesquisa, finalmente apresentou uma queda. Até então, o aumento se dava devido à baixa disponibilidade no mercado nacional, porém a pesquisa aponta que a região centro-oeste do Brasil voltou a colher neste mês. Apesar disso, a cebola continua sendo o segundo item dentre todos os 34 com o maior acúmulo de preço no ano, atingindo 51,9%, atrás apenas do alho (56,1%), o que pode ser explicado tanto pelo período de entressafra do alho brasileiro e por uma queda no volume de alho chinês disponível no mercado interno.

Como é realizada a pesquisa da Cesta Básica em Sorocaba

A cesta básica é composta por 34 produtos essenciais, definidos para o consumo por mês de uma família de quatro pessoas. Nela estão contidos itens de higiene pessoal, limpeza e alimentação. No Brasil, quem realiza o monitoramento dos preços desses produtos é o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Já em Sorocaba, a pesquisa é feita desde 1995 pelo LCSA da Uniso.

De acordo com o coordenador da Pesquisa, o professor mestre Lincoln Diogo Lima, os itens são coletados semanalmente nos seis principais supermercados da cidade. Um membro da equipe vai até os locais e faz a tabulação dos preços de cada marca disponível para os produtos que compõem a cesta básica. “Por exemplo, nós pegamos o sabonete e analisamos os valores de todas as marcas do supermercado, para então fazermos a média. Depois, é realizada a média semanal de todos os supermercados e, em seguida, a média mensal do produto. Em seguida, esse preço médio é multiplicado pela quantidade de sabonetes na cesta básica, para encontrar o valor gasto com esse item específico. Depois de realizado tal processo para todos os itens da cesta, o valor final é obtido pela soma dos gastos de cada um dos 34 itens”, explica o coordenador. Essa tabulação é realizada toda semana, para que a divulgação do boletim mensal seja possível ao fim da coleta dos dados.

Para Lima, a pesquisa é importante, pois a partir dela é possível acompanhar o poder de compra da população, principalmente a mais carente, que gasta quase todo o seu salário com esses produtos essenciais. Além disso, o coordenador ressalta que dessa forma também é possível direcionar políticas públicas para essa parcela mais pobre da região. “A pesquisa é um subsídio, um indicador para que nós possamos saber o que está acontecendo e quais políticas devem ser promovidas para essas pessoas, como uma ferramenta”, ele explica. Dessa forma, o grande objetivo da pesquisa é auxiliar no desenvolvimento de Sorocaba e região.

Além da pesquisa, o LCSA presta auxílio à comunidade externa e aos estudantes de outras formas. O laboratório é vinculado aos cursos de Administração, Comércio Exterior, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas da Uniso e, no local, são oferecidos diversos cursos, como Interpretação de Dados e Finanças Pessoais, todos abertos à comunidade.

Inflação

Muito se ouve falar sobre o aumento e a queda da inflação no país, mas você já parou para pensar sobre o que é que ela significa, e como afeta a vida de cada brasileiro? A inflação é o aumento generalizado dos preços de todos os produtos e serviços disponíveis para o consumo da população (incluindo os itens da cesta básica, o transporte, a conta de água e telefone, o material escolar, os gastos médicos, o custo do entretenimento e todo o resto). É importante ressaltar que a inflação não é necessariamente o aumento de todos os preços (já que alguns produtos podem ter o respectivo preço variando para baixo num dado período), mais sim da maioria deles.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informa que ela é calculada pelos índices de preços, ou índices de inflação. O órgão produz dois dos mais importantes desses índices: o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e o Índice de Preço ao Consumidor (INPC). Os dois são utilizados para medir a variação de preços dos produtos e serviços que a população consome; a única diferença é que o IPCA engloba uma parcela maior da população, englobando a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos, enquanto o INPC considera apenas as famílias com renda entre um e cinco salários mínimos, que é justamente o grupo mais afetado pelas alterações de preços.

Para o cálculo desses índices, é feito um levantamento mensal dos valores em 13 áreas urbanas do país. São verificados mais de 400 mil preços em 30 mil locais diferentes. Em seguida, é feita uma comparação com os preços do mês anterior e, a partir desses dados, é possível perceber se os valores dos produtos e serviços aumentaram ou diminuíram, além de mostrar o peso que cada item tem no orçamento das famílias. Dessa forma, também é possível analisar o poder de compra de cada família a partir da variação da renda mensal, ou seja, a quantidade de produtos e serviços que a população consegue comprar ou adquirir.

“Se a variação do seu salário, de um ano para o outro, for menor do que o IPCA, você perde seu poder de compra, pois os preços sobem mais do que a sua renda. Se a inflação e o seu salário têm a mesma variação, seu poder de compra se mantém. Se você, porém, receber um aumento acima do IPCA, seu poder de compra aumentará”, resume divulgação do IBGE. (Vanessa Ferranti e Giúlia Henriane – Agência Focs)

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