Economia

IBGE indica alta de 5% nas vendas do varejo em julho

Número surpreendeu positivamente e tem relação com auxílio emergencial
IBGE indica alta de 5% nas vendas do varejo em julho
Comércio varejista apresentou bom desempenho. Crédito da foto: Vinícius Fonseca / Arquivo JCS (24/7/2020)

Turbinado pelo auxílio emergencial pago pelo governo, as vendas do varejo registraram alta de 5,2% em julho, na comparação com junho, e passaram a operar 5,3% acima do patamar que existia em fevereiro — antes do isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus. Também ficaram a apenas 0,1% do patamar histórico alcançado em outubro de 2014.

Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Esse ano está muito atípico”, resumiu Cristiano Santos, analista da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. As atividades de material de construção, móveis e eletrodomésticos, artigos farmacêuticos e supermercados estão todas em ritmo superior ao do período pré-crise sanitária.

Santos lembra que as altas no varejo em maio e junho se justificavam pela base de comparação baixa, mas que o avanço em julho para patamares ainda mais elevados representaram, de fato, uma surpresa. “É um numero bastante surpreendente, é um contexto de aquecimento, de crescimento, e que não é homogêneo”, disse ele.

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O estrategista-chefe do Banco Mizuho na América Latina, Luciano Rostagno, concorda que os dados devem ser analisados com cautela, porque estão inflados por fatores temporários. Ele espera alta de 7% no Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre ante o segundo trimestre, mas reforça que a recuperação econômica tende a perder força em 2021, refletindo mais fielmente as condições deterioradas do mercado de trabalho. “Fica evidente que esse movimento está relacionado ao auxílio emergencial. Em classes mais vulneráveis, o benefício gerou aumento de renda.”

A atividade de supermercados chegou a julho 8,9% acima do patamar pré-pandemia. (Estadão Conteúdo)

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