Gasolina sobe 4 vezes mais que inflação

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Preço médio da gasolina é R$ 4,208 na cidade e em agosto de 2017 era R$ 3,501, conforme pesquisa da AN - ERICK PINHEIRO

No período de um ano, o preço médio do litro da gasolina registrou aumento de 20,2% em Sorocaba, mais de quatro vezes a inflação oficial de 4,48% nos últimos 12 meses medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Amplo (IPCA). No caso do etanol, a elevação do preço foi de 3,4% em um ano. Há um ano, o preço médio do litro da gasolina na cidade girava em R$ 3,501, ante o valor atual de R$ 4,208.

Por ter tido um reajuste menor no acumulado de um ano, o etanol tem sido a alternativa dos motoristas na hora de abastecer os carros flex. Os valores mencionados constam de levantamento semanal feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). O preço médio do litro do etanol era encontrado há um ano a R$ 2,373 e, atualmente, a R$ 2,455. Em valores, o preço do etanol também tem atraído mais o consumidor na comparação com a gasolina.

O motorista Junio Bille prefere etanol: "Para mim está compensando mais." O analista de sistemas Alcides Augusto Vieira segue o mesmo raciocínio: "O único jeito é colocar álcool, a gasolina está com o preço muito alto."

"Está atrapalhando bem", disse o engenheiro Denis Roberto. Ele considera que não só os preços dos combustíveis subiram. Lembrou que peças de manutenção de moto e pedágios entram nessa lista de aumentos. "O pior é que 90% das coisas estão vindo da China, tudo vem da China, como é que vai criar emprego (no Brasil?). Até caneta Bic vem da China. Suspeito que o ano que vem vai ser pior do que esse."

Sincopetro 

De acordo com o presidente regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Jorge Marques, vários fatores levaram ao aumento da gasolina. Entre eles, o governo elevou dois impostos federais, o PIS e o Cofins. Entram na conta a variação do barril do petróleo no mercado internacional, com diminuição da produção e elevação do preço, e a valorização do dólar frente às outras moedas. Além disso, desde junho do ano passado o governo adotou a política de reajuste diário, com repasse da variação do preço do petróleo.

Na análise de Marques, a política de reajustes diários gerou uma situação difícil. "Para a Petrobras foi bom porque ela apresentou lucro. Foi política voltada para o mercado acionista da Petrobras em função de resultados, mas para o consumidor a gasolina ficou caríssima."

A política atual de reajustes foi adotada na gestão do Pedro Parente na Petrobras. "A pessoa que entrou lá (Parente) estava voltada só para o mercado, só que os reflexos dessa política na economia geraram inflação. O Pedro Parente como executivo de finanças, ótimo, foi bem, mas o contexto é mais complexo", diz o presidente regional do Sincopetro.

Já o etanol tem sistemática própria, informou Marques. Por ser produto de origem agrícola, vincula-se à safra e entressafra da cana. O momento atual é o da safra. E tudo isso gerou uma distorção de preços na comparação com a gasolina "num valor poucas vezes visto", diz Marques, levando em conta a diferença em torno de R$ 1,70 o litro. Quando essa diferença era de R$ 1, o consumidor já migrava da gasolina para o etanol, segundo ele. "Por isso o mercado hoje está virado (voltado para) no etanol."

Futuro incerto 

Fazer qualquer previsão para o comportamento dos preços daqui para a frente é complicado, na análise de Marques, porque em período pré-eleitoral a economia está sujeita a muitas mudanças e elas podem ser diárias. "Basta uma delação, a Bolsa cai, o dólar sobe, é momento de muita instabilidade", avalia.

Conforme Marques, o mercado está retraído, não existe perspectiva de grandes investimentos e é preciso que haja certa segurança jurídica a partir das eleições: "Decisões vem sendo postergadas, o pessoal aguardando, incertezas..."