Economia

Feijão carioca mais que dobra de preço em Sorocaba

Seca e opção de agricultores por outros cultivos reduziram a oferta do alimento básico do brasileiro
Feijão carioca mais que dobra de preço
O quilo do feijão é vendido por mais de R$ 9 em Sorocaba. Crédito da foto: Fábio Rogério

Depois de muitos meses custando entre R$ 3 e R$ 4 o quilo, o feijão carioca mais que dobrou de preço e é encontrado por até R$ 9,89 nas prateleiras dos supermercados de Sorocaba. O motivo da alta, diz o presidente do Sindicato Rural de Sorocaba, Luiz Antonio Marcello, é que muitos produtores optaram por outros grãos, como a soja, já que o feijão, ao longo do ano passado, estava com o preço em baixa.

Claudemir Munhoz, que é sócio-proprietário do Feijão Vencedor — empresa de Sorocaba que realiza pesagem, empacotamento, classificação e seleção de grãos — aponta também que a seca prejudicou a colheita do feijão e por isso há menos oferta.

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Marcello explica que no Estado de São Paulo há colheita de feijão duas vezes ao ano. A maior delas tem plantio em agosto, com colheita entre novembro e dezembro. “Mas foi um período de seca”, afirma. Já a chamada safrinha tem o plantio em janeiro e fevereiro e colheita entre maio e junho. “A quantidade é bem menor e por isso, tradicionalmente, no meio do ano o feijão fica um pouco mais caro.” Ele lembra também que o feijão é cotado em real e por isso se torna menos atrativo para os produtores, que acabam apostando em soja e milho, por exemplo.

A maior alta registrada do feijão carioca foi em 2016, no início do segundo semestre, quando o quilo chegou a custar R$ 16. Munhoz relembra que nesta época toda a produção estava concentrada em Goiás. Diante da supervalorização do grão, que chegou a ser transportado com escolta, muitos produtores passaram a cultivar o feijão carioca, o que provocou, desde 2017, a estabilização do preço. Com a alta oferta, os preços baixaram e no ano passado parte dos produtores mudaram o foco do cultivo. “É a lei da oferta e da procura e por não existir um preço mínimo estabelecido para o feijão essa oscilação acontece.”

Feijão carioca mais que dobra de preço
Claudemir Munhoz: oscilação. Crédito da foto: Fábio Rogério

Munhoz conta que em dezembro comprou feijão carioca em São Paulo mesmo. Já neste início de ano vem adquirindo o grão com produtores do Paraná, que responde por 70% do abastecimento no País. “Outros 30% estão na região de Minas e Goiás”. O frete também interfere no preço final e quanto mais longe o cultivo, mais caro fica para o consumidor. O empresário porém, não acredita que o preço do feijão deve subir mais.

Diferente de outros grãos, o feijão carioca não permite um estoque longo. “Quando tem a colheita, todo mundo quer vender rápido para não perder. O feijão perde a coloração e isso faz empacar na prateleira”, afirma Marcello. Munhoz explica os lotes ensacados ficam cobertos até serem levados aos supermercados, pois a claridade também escurece o grão. “A qualidade não se perde, mas o feijão fica com a aparência mais escura e o cliente acaba não querendo.”

Sem substituição

Embora o preço do feijão esteja mais alto, muita gente não abre mão, combinando-o com o arroz. A auxiliar de serviços gerais Dirce Fátima Souza, 54 anos, conta que a família é natural de Minas Gerais e a tradição do arroz e feijão é ainda mais forte. “Tem que ter no almoço e na janta. A gente economiza em outra coisa, mas no arroz e feijão não dá. Feijão preto é mais barato, mas só na feijoada mesmo.”

O aposentado José de Matos Marçal, 92, também não troca o feijão carioca por outra variedade. Segundo ele, como a quantidade consumida é pequena, dá para manter o feijão no cardápio diariamente. “Tem gente que gosta do feijão preto, lentilha, mas eu não abro mão do feijão carioca.” No supermercado outras variedades do feijão estão mais conta, como o feijão preto, com preço médio de R$ 5,50. O feijão branco é encontrado por R$ 3,80. 

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