Economia

Exterior não alivia e dólar volta a encostar em R$ 4,10 nesta quinta

Valor da moeda americana subiu após Estados Unidos e China terem imposto nova rodada de tarifas comerciais entre si
O dólar bateu R$ 4 nesta semana pela primeira vez em mais de dois anos. Crédito da foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Após chegar a cair para R$ 4,042, o dólar firmou trajetória de alta ante o real nesta quinta-feira (23), puxado, desta vez, pelo cenário externo com Estados Unidos e China impondo nova rodada de tarifas comerciais entre si. Às 13h (horário de Brasília), o dólar comercial avançava 0,83%, para R$ 4,091. Na máxima até o momento, bateu R$ 4,096. A moeda americana -que já subiu de patamar em meio a especulações eleitorais do mercado e bateu R$ 4 nesta semana pela primeira vez em mais de dois anos- caminha para emendar o sétimo pregão de ganhos em relação ao real.

Os EUA e a China adotaram tarifas de 25% sobre US$ 16 bilhões (R$ 64,8 bilhões) em mercadorias um do outro, apesar de autoridades de ambos os lados terem retomado negociações em Washington.
A notícia aumentou a aversão a risco no mundo. Todas as 31 principais divisas globais perdiam para a moeda americana. O real, no entanto, liderava a desvalorização, com o mau humor externo acentuado por investidores digerindo informações eleitorais dos últimos dias.

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Uma bateria de pesquisas de intenção de votos mostrou que o candidato à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) -preferido pelo mercado por ser visto como um nome mais reformista-, continuava sem ganhar tração expressiva. Além disso, investidores passaram a precificar a possibilidade de um candidato do PT chegar ao segundo turno, algo até então não previsto por eles.

“O investidor corrige um pouco, mas não quer ficar vendido (aposta na queda do dólar) em dólar. Não há muito espaço para realização maior com as notícias atuais”, afirmou o diretor da consultoria de valores mobiliários Wagner Investimentos, José Faria Júnior.

Operadores do mercado apontam que o Banco Central não deve atuar de forma mais acentuada no câmbio, como chegou a fazer no primeiro semestre, porque o entendimento da autoridade monetária seria que não há falta de liquidez no mercado, nem fuga de capital, mas sim um movimento compatível com instabilidades de período eleitoral e, no contexto global, em linha com outros países emergentes.

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No sentido contrário, a Bolsa brasileira, que oscilava entre leves altas e baixas no início dos negócios, consolidou-se no campo negativo. O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas por aqui, caía 1,04%, a 76.100,34 pontos. Lá fora, as principais Bolsas da Europa operam no vermelho. Nos EUA, o Dow Jones cai 0,42%, enquanto o S&P 500 perde 0,17%. (Anaïs Fernandes – Fernandes) 

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