Economia

Empregos recuam em Sorocaba após três meses de alta

Números do Caged mostram redução de vagas de trabalho com carteira assinada em outubro
Empregos recuam após três meses de alta
O comércio local criou 68 postos de trabalho no mês passado. Crédito da foto: Aldo V. Silva / Arquivo JCS (14/3/2017)

Após três meses com saldo positivo, a geração de emprego em Sorocaba teve queda no mês de outubro, com menos 78 postos de trabalho. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no mês passado 6.215 pessoas foram contratadas com carteira assinada, enquanto 6.293 foram demitidas. No acumulado do ano (janeiro a outubro), porém, o saldo segue positivo em 2.970 vagas, superior ao saldo dos últimos 12 meses, que é de 1.706 contratações.

O setor de serviços teve o pior resultado em outubro, com perda de 175 vagas. Até agosto, o setor foi o maior gerador de empregos em Sorocaba, com 2.772 contratações deste janeiro. Mesmo com a queda registrada em outubro, em 12 meses o saldo do setor de serviços segue positivo com 1.900 vagas.

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Os setores com melhores desempenhos no mês passado foram construção civil e comércio, com saldo de 69 e 66 vagas, respectivamente. O número mostra que as contratações temporárias para o Natal ainda não decolaram no comércio, pelo menos até outubro. Além de serviços, tiveram saldo negativo a agropecuária (-20), administração pública (-11) e indústria (-7).

De janeiro a outubro de 2018, segundo os dados do Caged, a melhor variação foi em serviços públicos, com 17,7%. Embora o setor tenha fechado o último mês com saldo de -11, ao longo de dez meses tem saldo de 145 vagas. A agropecuária registrou maior queda de contratações entre os setores. Nos últimos dez meses, o saldo foi de -23, com variação negativa de 3,81%.

Conforme dados do Caged, foram criados 544 empregos no município em setembro, 940 em agosto e 492 em julho. Junho e maio tiveram redução de vagas, de 676 e 176, respectivamente, sob influência da greve dos caminhoneiros.

Recuperação lenta

Empregos recuam após três meses de alta
Canhada: recuperação de empregos é lenta e com oscilações. Crédito da foto: Erick Pinheiro

O economista e professor Marcos Antônio Canhada avalia que a queda registrada em outubro pode ser interpretada como uma oscilação normal, mas ainda assim o acumulado do ano é positivo. “A tendência é de um crescimento lento, pois os empregadores ainda estão receosos e isso deve continuar nos próximos meses.”

Canhada afirma que por conta da recessão intensa que o País enfrentou, a recuperação é tímida e as empresas ainda estão inseguras com o mercado. “É natural que nos próximos meses fique nessa variação, crescimento e pequena retração”, afirma. O crescimento lento do Produto Interno Bruto (PIB), também é um fator que reflete em insegurança no mercado.

Os resultados do Caged para os dois últimos meses de 2018, conforme o economista, devem ser positivos, principalmente por conta do 13º salário, que injeta um grande valor na economia e faz movimentar o mercado, resultando em necessidade de contratação. “O comércio vem se recuperando devagar, mas as festas de final de ano naturalmente são bons períodos.”

A transição com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) tomando posse também pode resultar, segundo Canhada, em mudanças no mercado, mas nos primeiros meses do novo governo, acredita, ainda haverá insegurança do empresariado. “Sabemos que ocorrerão mudanças, como na Previdência, mas não sabemos exatamente o que será alterado e isso deixa o mercado instável”, observa.

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