Economia

Eletrobras, Correios, Porto de Santos serão vendidos em 2021, diz Guedes

Ministro da Economia falou ainda do risco de hiperinflação se a dívida pública não for equacionada
Eletrobras, Correios, Porto de Santos serão vendidos em 2021, diz Guedes
Privatizações poderão render R$ 800 bilhões, avalia Guedes. Crédito da foto: Alan Santos / Arquivo Presidência da República (19/8/2020)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que até dezembro de 2021 quatro empresas estatais já deverão estar privatizadas: Correios, Porto de Santos, Eletrobras e PPSA, que administra o sistema de partilha de petróleo. “Até dezembro, essas quatro devem estar feitas. E muitas outras. Esse é o ponto de partida. Estamos propondo isso para o Congresso nos próximos 30 a 60 dias”, disse, em participação virtual no Bloomberg Emerging + Frontier Forum 2020.

Guedes disse que não gosta de fazer previsões, porque as pessoas dizem que ele promete, mas não entrega. “Há guerra política no Brasil, nós entregamos, mas a oposição diz que não. Tínhamos acordo para privatização dessas quatro empresas, mas um acordo político impediu. Fomos ingênuos ao anunciar privatizações, quando já havia outro acordo político”, criticou, citando avanços do governo no acordo Mercosul com a União Europeia e a aprovação da reforma da previdência, por exemplo.

Segundo Guedes, se houver sucesso na venda dessas quatro empresas, o Brasil pode recuperar dois terços do que foi gasto para combater os efeitos da pandemia de coronavírus, de cerca de R$ 800 bilhões, em um ano e meio. Ele afirmou que os Correios devem ser alvo de grandes companhias de comércio eletrônico, principalmente com o crescimento dessa modalidade da economia.

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Hiperinflação

O ministro afirmou que o Brasil pode “ir para uma hiperinflação muito rápido” se não rolar a dívida pública satisfatoriamente. No evento Boas práticas e desafios para a implementação da política de desestatização do governo federal, organizado pela Controladoria-Geral da União (CGU), ele defendeu desinvestimentos para reduzir o endividamento público.

Assessores do ministro rechaçaram avaliação de que mensagem de Guedes represente “terrorismo fiscal”. Eles destacam que essas incertezas, que podem piorar ainda mais os indicadores, ocorre num momento em que a economia real está “com punch” para a retomada.

Os economistas classificam de “hiperinflação” quando o principal conjunto de preços de um País — o Índice Nacional de Preços a Consumidor Amplo (IPCA), no caso brasileiro — aumenta de valor em mais de 50% em um mês. O Brasil viveu mais de uma década nessa situação, entre o começo dos anos 1980 e o lançamento do Plano Real em 1994. Em março de 1990, a inflação mensal ultrapassou a casa dos 80%.

Como comparação, em outubro deste ano o IPCA subiu 0,86%, de acordo com dados divulgados na última sexta-feira pelo IBGE.

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A fala do ministro da economia foi um “alerta evidente” para a necessidade de o Congresso correr com a aprovação das reformas e os projetos da pauta econômica, segundo assessores de Guedes. A discussão dos projetos, que incluem medidas duras e impopulares de corte de gastos, foi paralisada por determinação do presidente Jair Bolsonaro até o final das eleições municipais. Guedes quer retomar as discussões já no dia 16 de novembro, no dia seguinte do primeiro turno. (Estadão Conteúdo)

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