Buscar no Cruzeiro

Buscar

Acervo

Delegação dos EUA oferece financiamento para 5G

21 de Outubro de 2020

Delegação dos EUA oferece financiamento para 5G Glauber e o magnífico ‘Terra em Transe’. Crédito da foto: Divulgação

Em campanha contra a presença da empresa chinesa Huawei no leilão de 5G no Brasil, os Estados Unidos estão dispostos a financiar “qualquer investimento” no setor de telecomunicações brasileiro. Em visita ao Brasil, uma delegação de autoridades norte-americanas deixou a diplomacia de lado, atacou a China e deixou claro que espera que o Brasil escolha empresas de outras nacionalidades para a construção de sua infraestrutura 5G.

“Há um equívoco de que não existe alternativa, não é o caso. Há competição lá fora, está disponível e os Estados Unidos estão prontos para financiar isso”, disse o diretor sênior interino para o Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional (NSC, na sigla em inglês), Joshua Hodges. “A China não apoia (o acesso à informação), veja o que eles fizeram com Hong Kong. Os Estados Unidos estão preocupados em como os chineses vão usar os dados e a tecnologia para assuntos de Estado, não para os usuários dessa tecnologia”, completou.

A tecnologia 5G é a quinta geração das redes de comunicação móveis. Ela promete velocidades até 20 vezes superiores ao 4G. Em ambiente controlado, as redes 5G podem ter velocidades de até 1 gigabit por segundo (Gbps). Assim, permite um consumo maior de vídeos, jogos e ambientes em realidade virtual. Além disso, promete reduzir para menos da metade a latência, tempo entre dar um comando em um site ou app e a sua execução -- dos atuais 10 milissegundos para 4 ms. Em algumas situações, a latência poderá ser de 1 ms, importante, por exemplo, para o desenvolvimento de carros autônomos.

Hodges disse que os Estados Unidos querem mostrar que podem ser um parceiro de benefício mútuo para o Brasil e que quer fortalecer o País, e não “minar a soberania brasileira”, em referência aos chineses. “Diferentemente da China, não estamos aqui com ameaças, estamos oferecendo alternativas. Não estamos dizendo ‘não façam negócios com a China’, queremos encontrar outros parceiros para o Brasil e fortalecer nossa aliança com os brasileiros”, afirmou.

Como mostrou o Estadão/Broadcast com exclusividade, o conselheiro de Segurança dos Estados Unidos, Robert O’Brien, que lidera a delegação, disse que se o Brasil escolher a empresa chinesa Huawei para implantação da tecnologia 5G no país, os dados do governo e de empresas brasileiras poderão ser “decifrados” pelos chineses. A frase foi dita em reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na segunda-feira, Brasil e EUA fecharam um pacote comercial com medidas para facilitar o comércio entre os países, desburocratizar a regulação e reduzir a corrupção. “É um sinal muito positivo para um acordo mais amplo entre EUA e Brasil e que, em última instância, pode levar a acordo de livre-comércio entre os dois países. Queremos fazer isso passo a passo, ter certeza de que o acordo é ótimo para o Brasil e ótimo para os Estados Unidos”, disse O’Brien. (Estadão Conteúdo)