Economia

Crise na China pode afetar empresas de Sorocaba

Indústrias de Campinas e Jaguariúna anunciaram férias coletivas por falta de componentes importados
Crise na China pode afetar empresas de Sorocaba
Indústrias de Sorocaba dependem de componentes da China. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (23/8/2018)

Com a epidemia de coronavírus, que já causou mais de 1.100 mortes na China e coloca o mundo em alerta, indústrias sorocabanas podem sentir o reflexo e sofrer com a falta de componentes. A análise foi feita pelo o economista e professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), Renato Vaz Garcia, durante o Jornal da Cruzeiro, da Cruzeiro FM 92.3.

A China foi responsável por aproximadamente 35% do total de importações que chegaram a Sorocaba no ano passado, mostrando-se grande parceira das multinacionais que ocupam a cidade. O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal) informou que ainda não foi informado por nenhuma empresa local sobre a falta de insumos e componentes.

Em decorrência da epidemia e como consequência um freio nas exportações chinesas, algumas empresas brasileiras já anunciaram que concederão férias coletivas aos funcionários. Exemplos dessa situação são a Samsung, em Campinas, e a base da Flextronics de Jaguariúna. As duas são fabricantes de celulares e a importação de materiais chineses está suspensa. “A Flex, por exemplo, tem sede em Sorocaba e muitas outras multinacionais instaladas na cidade também importam do país asiático, o que coloca em risco a manutenção das produções”, disse ontem o economista.

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De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, as duas fábricas concederão férias coletivas já marcadas entre o dia 17 de fevereiro a 26 do mesmo mês. Ao todo, 2.500 funcionários ficarão sem trabalhar durante o período e conforme o sindicato os dias parados serão compensados posteriormente.

A China é a principal fornecedor de importados para empresas de Sorocaba. No ano passado as empresas baseadas no município importaram US$ 781,8 milhões do país asiático, seguido pela Alemanha, com US$ 253,8 milhões, e Japão, com US$ 174,6 milhões. Os segmentos de destaque foram materiais de transporte, como partes e acessórios de veículos, bem como máquinas e aparelhos.

Crise na China pode afetar empresas de Sorocaba
Garcia: possíveis impactos. Crédito da foto: Arquivo Cruzeiro FM (28/11/2018)

Mesmo com a situação delicada por conta do vírus, que ainda não teve nenhum caso confirmado no Brasil, Garcia destacou que o Brasil soube lidar bem com a situação. “É preciso cautela, já que trata-se de uma doença letal e o País agiu bem, principalmente resgatando os brasileiros que estavam na China e pediram o repatriamento”, afirmou.

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Sorocaba, lembra o economista, é uma cidade de características peculiares e diferenciadas da maioria dos municípios brasileiros, pois é mais potente nas importações do que nas exportações. “Compramos muita matéria-prima do exterior e muitos itens produzidos em Sorocaba são comercializados no mercado interno”, aponta.

Garcia lembrou durante a entrevista, que assim como a China, a Argentina também é importante na economia sorocabana, porém na exportação. “São parceiros, mas ambos atravessam crises que afetam diretamente o nosso mercado.” (Larissa Pessoa)

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