Economia

Crise argentina e greve prejudicaram exportações de Sorocaba

Empresas da cidade venderam US$ 1,3 bilhão para o exterior em 2018
O pior mês de exportações foi julho, após a paralisação. Foto: Emídio Marques / Arquivo JCS

As exportações de empresas de Sorocaba caíram no ano passado na comparação com o ano anterior. Foram US$ 1,301 bilhão em 2018 ante US$ 1,339 bilhão em 2017, queda de 2,8%. As importações, principalmente de insumos e componentes, tiveram aumento, passando de US$ 2,178 bilhões para US$ 2,235 bilhões — 2,55%. Em 2016, as exportações de Sorocaba foram de US$ 1,25 bilhão e as importações somaram US$ 1,77 bilhão.

A balança comercial — saldo das exportações e importações — ficou em um déficit de US$ 934 milhões no ano passado, ante déficit de US$ 838 milhões em 2017. A greve dos caminhoneiros em maio, a polarização nas eleições e seus reflexos na economia, além da crise na Argentina, são os motivos apontados para um desempenho menor nas exportações no ano passado.

O melhor mês de exportações para Sorocaba em 2018 foi outubro, com US$ 126,4 milhões. O pior, por outro lado, foi julho (US$ 75 milhões), um mês após o término da greve dos caminhoneiros.

“O resultado ruim de exportação em alguns meses deve-se à greve, mas também ao cenário conjuntural. Tivemos eleição aqui e, no cenário externo, tivemos crise na Argentina (principal importadora de produtos sorocabanos)”, afirma o economista e professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), Renato Vaz Garcia.

Garcia: importação é bem-vinda. Foto: Pedro Negrão / Arquivo JCS

Quanto ao déficit na balança comercial de Sorocaba, não é preocupante, por ser uma cidade industrial. “Somos um município deficitário em termos comerciais por conta da característica da economia local”, diz o economista.

“Em termos de País, poderia haver algum problema. Mas em termos de município, não”, assinala. “As indústrias daqui importam componentes industriais e matéria-prima para montarem aqui e, em seguida, vendem boa parte aqui dentro mesmo. Então, a importação que entra, não necessariamente sai em exportação”, explica.

Garcia ainda comenta que é preciso estar preparado até para um possível crescimento do déficit na balança comercial. “Quando a economia nacional começar a recuperação, é provável que as importações aumentem, podendo inclusive aumentar o déficit.”

Os três países para os quais a cidade mais exportou em 2018 foram Argentina (US$ 621 milhões), Estados Unidos (US$ 98,4 milhões) e Alemanha (US$ 88,7 milhões). Dois segmentos tiveram mais representatividade nas exportações: veículos e peças/acessórios.

Os três maiores parceiros comerciais sorocabanos para importação foram China (US$ 781,8 milhões), Alemanha (US$ 253,8 milhões) e Japão (US$ 174,6 milhões). As áreas de destaque foram materiais de transporte, como partes e acessórios de veículos, bem como máquinas e aparelhos.

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