Com pandemia, 70% adiam interesse de comprar carro, mostra pesquisa

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Insegurança quanto ao emprego e à renda foi levantada por 47% dos que participaram da pesquisa realizada pela OLX. Crédito da foto: Pedro Negrão / Arquivo JCS (22/8/2016)

Insegurança quanto ao emprego e à renda foi levantada por 47% dos que participaram da pesquisa realizada pela OLX. Crédito da foto: Pedro Negrão / Arquivo JCS (22/8/2016)

A pandemia do novo coronavírus, que paralisou as atividades de diversos setores da economia e deixou os consumidores mais cautelosos, fez com que 70% dos brasileiros interessados em comprar um carro, novo ou usado, adiassem o projeto. É o que mostra pesquisa feita pela OLX Brasil entre os dias 20 e 24 de abril, com uma amostra de 340 clientes.

Segundo o levantamento, 17% dos entrevistados pretendem postergar a compra por no máximo três meses. Uma fatia maior, de 23%, adiou o plano por algo entre três a seis meses. Um outro grupo de 19% respondeu que a ideia, agora, é deixar para comprar só daqui a seis meses a um ano. A menor fatia, de 11%, afirmou que só depois de um ano voltará a pensar em comprar um automóvel.

O principal motivo para o adiamento dos entrevistados está relacionado a dificuldades burocráticas causadas pelo isolamento social. De todos, 55% estão preocupados com a possibilidade de não conseguir resolver toda a documentação da carro e realizar a transferência. Além disso, 52% relataram como obstáculo não poder conferir o veículo pessoalmente.

Questões econômicas e financeiras também são barreiras, uma vez que 47% da amostra disseram que estão inseguros quanto ao emprego e à renda. Com a interrupção das atividades de diversas empresas, economistas têm previsto aumento do desemprego em 2020. Os bancos, por sua vez, estão mais cautelosos na hora de aprovar um financiamento.

O adiamento verificado pela pesquisa já se reflete no desempenho do mercado de veículos novos. Em abril, as vendas despencaram 75,9% em relação a igual mês do ano passado e tiveram tombo de 65,9% na comparação com março, segundo dados da Federação Nacional de Distribuição de Veículos (Fenabrave), que reúne as concessionárias espalhadas pelo País.

Antes da pandemia, a Fenabrave previa expansão de 9% para o mercado em 2020. Após a pandemia, o resultado acumulado do ano tem recuo de 26,9%. Executivos do setor não se arriscam a fazer uma nova projeção para o ano, dado o alto grau de incerteza quanto à duração e à intensidade da pandemia no Brasil, mas estão certos de que haverá uma forte queda.

Apesar de a maioria das pessoas estar adiando a compra, a OLX acredita que uma mudança de comportamento gerada pela pandemia poderá beneficiar o mercado lá na frente. “Quando a economia abrir, as pessoas vão precisar trabalhar e, com o receio de pegar o transporte público, a demanda por carro vai aumentar”, disse o vice-presidente executivo da OLX Brasil, Marcos Leite, que confia também nos juros baixos como um estímulo à aquisição.

A pesquisa da OLX mostra também que 30% dos entrevistados têm a intenção de antecipar a compra (7%) ou manter o prazo que haviam estabelecido antes da pandemia (23%). De todos, 17% pretendem usar o veículo para fins profissionais, como aplicativos de transporte, serviços de entrega, entre outros. Os 83% restantes pretendem comprar para uso pessoal.

“Para uma parcela da população, ter um veículo para trabalho pode gerar novas oportunidades de renda nesse momento, o que justifica o aumento no interesse por alguns modelos de motos, por exemplo”, explica Leite. (André Ítalo Rocha - Estadão Conteúdo)