fbpx
Economia

Carne vermelha tem alta de até 52% no prazo de um mês em Sorocaba

Consumidores buscam alternativas para driblar preços
Carne vermelha tem alta de até 52% no prazo de um mês
Cortes de segunda acumulam maior reajuste; quilo das carnes de primeira chegam a R$ 38. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (27/11/2019)

O preço da carne vermelha teve uma disparada nas últimas três semanas. Em açougues e supermercados de Sorocaba o quilo da carne de primeira está chegando aos R$ 38, como alcatra e contrafilé. No mês passado, segundo pesquisa realizada pelo Laboratório de Ciências Sociais Aplicadas da Uniso, o preço do mesmo corte variava entre R$ 20,99 e R$ 28,99, o que representa uma alta de 40%.

Quem busca pela carne de segunda, como o músculo, também tem se surpreendido com a alta de 52%, já que em outubro o preço médio era R$ 17,40 e nesta semana pode ser encontrada por R$ 27. Diante dos preços mais salgados, o frango tem ganhado mais espaço no prato dos sorocabanos, mesmo também tendo sofrido reajuste nos últimos dias. O quilo do frango inteiro passou de R$ 5,98 para R$ 9,79, em média.

“Esses dias eu fui no supermercado e estranhei o preço, achei que lá que não estava com o preço bom, mas depois vi que a sobrecoxa realmente estava mais cara. Costumo pagar R$ 8 o quilo e agora já está em R$ 10,50”, destaca a dona de casa Solange Bystroff Gagliardi, 55. Ela conta que faz compras semanalmente ou a cada 15 dias e quando encontra alguma promoção leva uma quantidade maior para a casa e congela.

Leia mais  Procon recebe em São Paulo 152 reclamações sobre Black Friday
Carne vermelha tem alta de até 52% no prazo de um mês
Solange: investe em promoções. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (27/11/2019)

Essa alta repentina no preço das carnes em geral, conta Thaís Real Arruda, 35, sócia proprietária de um açougue na zona leste, pegou todos de surpresa. “Um reajuste tímido no fim do ano é comum, mas dessa vez está realmente muito alto e nós estamos fazendo compra diária e sentido esse aumento cada vez maior”, conta. Na casa de carnes comandada pela comerciante o preço do coxão duro está R$ 35 e o do músculo R$ 25,50. “Os clientes já começam a reclamar dessa alta, mas não tem como a gente não repassar uma parte”, relata.

De olho no mercado pecuário, Thaís conta que o preço da arroba do boi gordo tem subido diariamente e é motivado por um conjunto de fatores. “A demanda externa está forte e a produção caiu. Os vendedores dos frigoríficos já estão nos alertando”, disse.

A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) informou que além dos russos e chineses, que estão habilitando cada vez mais frigoríficos brasileiros para exportação, países como Turquia e Indonésia também estão ganhando espaço no mercado de carnes brasileiro.

Leia mais  Black Friday: Vendas no comércio eletrônico se equiparam às lojas físicas

De acordo com a Scot Consultoria, que acompanha o mercado da carne bovina desde o início de 2005, uma alta da magnitude do que se vê atualmente nunca havia sido registrada. “O mercado tem subido incessantemente desde meados de setembro e neste período acumulou alta de 30%, na média de todos os cortes”, informou a empresa, dedicada à competitividade do agronegócio brasileiro. Nos últimos doze meses, segundo a Scot Consultoria, o produto se valorizou, em média, 26,1% no atacado. No varejo, a alta foi de 14,1%.

Opções

Carne vermelha tem alta de até 52% no prazo de um mês
Laurindo e Marina pesquisam os melhores preços. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (27/11/2019)

Assim como a dona de casa Solange, Marina Soares André, 70, também se surpreendeu com a alta e por isso busca algumas substituições. O marido dela, Laurindo B. S. André, 75, conta que a família não faz questão de ter carne em todas as principais refeições. “Quase todo dia a gente come carne, mas também preparamos bastante legumes, ovos, então tem que ir pesquisando”, conta. No fim de semana Marina afirma que o cardápio já está definido: será feijoada. “A carne de porco e de frango são maneiras de substituir o bovino, que é o mais caro”, disse.

Leia mais  No radar de empresas estrangeiras, profissionais de tecnologia deixam o País
Carne vermelha tem alta de até 52% no prazo de um mês
Maria do Rosário: outras carnes. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (27/11/2019)

Para a médica Maria do Rosário Kobayashi, 70, a alta no preço da carne vermelha ainda não é uma preocupação. “Eu estava viajando para o nordeste e voltei nesta semana. Lá, por conta das manchas de óleo no mar, eu evitei consumir peixes e acabei comendo bastante carne vermelha, então agora vou buscar mais por frango e peixe.” Ela conta que prioriza uma proteína animal em todas as refeições e destaca também que reduzir o consumo da carne vermelha traz benefícios à saúde. (Larissa Pessoa)

Comentários