Economia

Bolsa sobe 1,12%, em pico histórico de 119.123 pontos

Bolsa sobe 1,12%, em pico histórico de 119.123 pontos
Nível de fechamento é o 2º maior registrado pelo Ibovespa. Crédito da foto: Nelson Almeida / Arquivo AFP (4/3/2020)

Após a pausa para o Natal, o Ibovespa emendou ontem a terceira sessão positiva, reaproximando o índice dos 119.370,48 observados em 18 de dezembro, o melhor nível intradia desde 24 de janeiro, então no pico histórico de 119.593,10 pontos. Ao fim, o índice da B3 mostrava ontem ganho de 1,12%, aos 119.123,70 pontos, o segundo maior nível de fechamento registrado pelo Ibovespa, superado apenas pelo de 23 de janeiro, quando foi a 119.527,63 pontos. Em 2020, o ganho é de 3,01%, com avanço de 9,39% em dezembro.

O mercado doméstico seguiu o bom humor observado desde cedo no exterior, movido pela assinatura do presidente Donald Trump ao pacote de US$ 900 bilhões nos Estados Unidos e pelo entendimento entre Reino Unido e União Europeia quanto a acordo pós-Brexit. Quase sem interrupção, o Ibovespa recuperou e se manteve acima dos 119 mil pontos desde as 15h30.

“Com vacinas e agora o pacote nos EUA o ambiente ficou mais leve, favorecendo um movimento de inércia que deixou diversos papéis esticados ao longo desses últimos 40 dias”, aponta Rodrigo Barreto, analista gráfico da Necton, para quem, passado 2020, a tendência é de alguma realização, que resulte em giro de carteira em direção a ações que andaram pouco neste período mais recente, como as de varejo. “Antes de o ano acabar, o Ibovespa pode ao menos testar os 120 mil pontos, estamos bem perto disso”, avalia Barreto.

Leia mais  Baleia Rossi: discussão sobre auxílio passa por cuidado com contas públicas

“O que tinha para sair de notícia positiva lá fora – vacinação, pacote, acordo -, saiu. O investidor local já está posicionado, então qual seria a variável que levaria o estrangeiro a esticar um pouco mais, até os 120 mil pontos?”, observa Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença. “O fluxo estrangeiro é o que carregou a Bolsa nos últimos dois meses. O cenário doméstico continua difícil, com agenda travada ao menos até a eleição para as presidências da Câmara e do Senado, e briga sobre vacinas. O fiscal continua a preocupar, de forma que o comportamento dos estrangeiros nos primeiros dois meses de 2021 precisará ser monitorado de perto”, acrescenta.

Em desdobramento positivo que contribuiu para dar sustentação ao Ibovespa na segunda etapa dos negócios, a Fiocruz, laboratório público ligado ao Ministério da Saúde, deve pedir até a próxima semana o registro da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e o grupo farmacêutico AstraZeneca. O imunizante é a principal aposta do governo federal para combater a pandemia do novo coronavírus. A Fiocruz pretende entregar 210,4 milhões de doses no País ao longo de 2021, soma suficiente para vacinar mais de 105 milhões de pessoas.

Leia mais  Crédito rural cresce 18% no segundo semestre de 2020

Dólar

A intervenção do Banco Central (BC), com venda de US$ 530 milhões à vista, tirou força do dólar durante um pregão em que a divisa americana chegou a R$ 5,3113 na máxima, mas acabou fechando o dia a R$ 5,2382 (alta de 1,12%).

A valorização é atribuída à demanda de bancos e empresas pela moeda em decorrência do fechamento da janela, nesta semana, para desmonte de overhedge (proteção cambial que deixou de ser interessante após mudanças tributárias) e remessas de lucro a multinacionais do exterior.

Também pesou contra o real, segundo operadores, a insegurança gerada pela indefinição no cronograma da vacinação contra Covid-19 no Brasil. (Estadão Conteúdo)

Comentários