Cultura

Um recreio cheio de brincadeiras de antigamente

Daniela Jacinto – [email protected]

Você tem uma abayomi? Conhece cama de gato? Já rodou um balangandã ou então ficou com as cinco-marias? Não sabe o que essas coisas significam? São brinquedos e brincadeiras tradicionais da infância, que tiveram início no Brasil com os povos indígenas, portugueses e africanos.

Alunos da Escola Municipal Professor Edemir Antonio Digiampietri, na Vila Barão, descobriram essas brincadeiras por meio de uma pesquisa e ficaram tão encantados que resolveram confeccionar para brincarem no intervalo. O resultado é que agora a escola inteira conhece essas brincadeiras e as crianças estão se divertindo muito no recreio! Além disso, a pesquisa proposta pela professora Patrícia Oliveira Cardoso rendeu um prêmio de R$ 35 mil para a escola. O dinheiro será usado na reforma do parquinho, que ganhará oito tipos diferentes de brinquedos.

O intervalos da escola municipal na Vila Barão ganharam um novo colorido  - ERICK PINHEIRO

O intervalos da escola municipal na Vila Barão ganharam um novo colorido – ERICK PINHEIRO

A escola foi uma das cinco vencedoras no Estado de São Paulo do Prêmio Crianças mais Saudáveis, iniciativa promovida pela Fundação Nestlé, em parceria com o Instituto Crescer, para incentivar educadores a promoverem novos hábitos junto aos estudantes.

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A professora Patrícia - ERICK PINHEIRO

A professora Patrícia – ERICK PINHEIRO

Idealizado pela professora Patrícia, o projeto “Brincadeiras brasileiras” propõe o resgate de brincadeiras tradicionais e a criação dos brinquedos a partir de materiais recicláveis, como garrafas PET e CDs usados. A atividade envolveu alunos com idades entre 10 e 12 anos, que estão no 5º ano do ensino fundamental. Esse trabalho contou com o apoio e incentivo da diretora Maria Aparecida de Oliveira Duarte.

Intervalo mais criativo

Durante a pesquisa, as crianças descobriram que brincadeiras como cama de gato (que usa barbante entre os dedos) e peteca têm origem indígena; cinco-marias (cinco saquinhos), bolinha de gude e pião são de origem portuguesa; já a abayomi, o balangandã e escravos de Jó são da tradição africana.

Para jogar pião, como ninguém sabia brincar, a professora Patrícia conta que os alunos assistiram vídeos no YouTube para aprender. Com a bolinha de gude, apenas quatro alunos sabiam e um foi ensinando o outro. As famílias também participaram e mostraram para as crianças como fazer. “Antes eles brincavam no intervalo só de bater card e correr, agora disputam esses outros brinquedos”, diz a professora.

Alexander gostou da bolinha de gude - ERICK PINHEIRO

Alexander gostou da bolinha de gude – ERICK PINHEIRO

Alexander Kraus Silvério, 11 anos, é um dos alunos que nunca tinha nem ouvido falar dessas brincadeiras, que são da geração de seus pais, o advogado Valdemir Silvério e a dona de casa Neuza Rodrigues Silvério. Para ele, a mais difícil de aprender foi cama de gato. “Mas depois minha mãe e meu pai me ensinaram”, disse, acrescentando que a brincadeira que mais gostou é a bolinha de gude.

Isabella curtiu muito a boneca abayomi, uma tradição africana  - ERICK PINHEIRO

Isabella curtiu muito a boneca abayomi, uma tradição africana – ERICK PINHEIRO

Já Isabella Sharon Machado Domingues, 10 anos, curtiu muito a boneca abayomi e o balangandã. Abayomi é uma boneca negra, feita de forma muito simples, com sobras de pano e nós, sem o uso de cola ou costura. Ela tem um significado: é aquela que traz alegria. “As escravas rasgavam as próprias roupas para fazer a boneca. Elas queriam acalmar as crianças no navio negreiro”, explica. Já o balangandã é feito de jornal, barbante e papel crepom e é para girar.

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Vinícius ficou fã do pião - ERICK PINHEIRO

Vinícius ficou fã do pião – ERICK PINHEIRO

O pião conquistou dois fãs: Vinícius Daniel Ferreira de Mello, 11 anos, e Bruna Amaral Santos, 10 anos. “É mais divertido. Dá mais graça de brincar com ele”, justifica Vinícius, acrescentando que tem um pião em casa há uns seis anos, mas nunca tinha brincado. Agora, está aproveitando bastante! Para Bruna, o pião é o seu predileto por ser um desafio fazer rodar.

Karen Sophia Campos Henrique, 11 anos, prefere o balangandã e falou algo que representou o sentimento dela e de seus colegas: “A gente nunca ganhou uma premiação assim. Como somos crianças, eu acho que é muito. A escola estava precisando de um parque novo”, comemora.

Aplicativo gratuito

Além do Prêmio Crianças mais Saudáveis, o programa também conta com o aplicativo gratuito NesPLAY. Disponível para download no Google Play ou App Store para os pais, a ferramenta reúne ideias, receitas e atividades divertidas para crianças dos 6 a 12 anos mudarem os hábitos brincando.

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