Cultura

Trio Samboré resgata samba-jazz da década de 60 em show de estreia

Léo Ferrarini, Everton “Barba” Rodrigues e Junior Chiaparini se juntam para show de estreia do trio, na noite de hoje
Samboré resgata samba-jazz da década de 60
Junior – Foto: Divulgação

Os lendários trios de samba-jazz da década de 1960, que ajudaram a consolidar as bases da música instrumental brasileira — e a projetou para todos os cantos do mundo –, serão homenageados pelo Trio Samboré em seu show de estreia, que ocorre nesta quarta-feira (3) em Sorocaba.

 

Composto por Léo Ferrarini (piano), Everton “Barba” Rodrigues (bateria) e Junior Chiaparini (contrabaixo acústico), o trio acaba de ser criado com a proposta de revisitar o repertório e sonoridade, com alto grau de fidelidade aos arranjos originais, dos trios que são verdadeiros pilares da música instrumental brasileira. Dentre eles Zimbo Trio; Tamba Trio, de Luiz Eça; o Sambalanço Trio, de César Camargo Mariano; o Sambrasa, de Hermeto Pascoal; Trio 3D e Milton Banana Trio, entre outros. “Os trios de música instrumental fizeram parte de um movimento muito forte que existiu no Brasil simultaneamente ao surgimento da bossa nova, mas apesar disso, são pouco reconhecidos hoje em dia”, comenta Léo.

Samboré resgata samba-jazz da década de 60
Barba – Foto: Divulgação

Autor do livro “Guia Prático do Piano Brasileiro Vol.1 – Ernesto Nazareth”, lançado no final do ano passado com apoio da Lei de Incentivo à Cultura de Sorocaba (Linc), Léo Ferrarini, a exemplo dos demais integrantes do trio, também é professor de música e percebeu a carência bibliográfica e de materiais didáticos sobre o assunto. “Como não existe muito material para lecionar, começamos a transcrever as músicas e agora decidimos juntar para tocar, tal qual eles faziam na época”, diz.

A pesquisa do grupo resultou no levantamento de centenas de fonogramas de quase trinta trios, a grande maioria da segunda metade da década de 1960, no eixo Rio-São Paulo. “O jeito de tocar é diferente da música instrumental contemporânea. É tudo muito elaborado e requer outra abordagem para se colocar no som”, detalha. Na parte final, o show terá participação especial do saxofonista e flautista Richard Ferrarini.

Reencontro

Samboré resgata samba-jazz da década de 60
Léo – Foto: Divulgação

Léo endossa a tese do crítico musical escritor, produtor e professor José Domingos Raffaelli de que, no fim das contas, o samba-jazz é o reencontro de dois gêneros musicais que fecundaram nas Américas — do norte e do sul –, e tem sua semente vinda da África. “Claro que, em cada país, aconteceu de uma forma diferente, mas acho que é muito difícil estabelecer qualquer desenvolvimento cultural ou artístico no Brasil ou nos Estados Unidos sem a presença da África, que permeou tudo”, defende.

O pianista e pesquisador comenta que os trios são tão tradicionais na música popular quanto os quartetos de cordas da escola da música clássica. “Essa formação surgiu na década de 1930 [nos Estados Unidos], época em que as big bands dominavam, mas os músicos ficavam muito presos ao que estava na partitura. Era uma forma deles buscarem mais liberdade, principalmente nos bares, depois dos shows, e que caiu no gosto do público”, detalha Léo.

 

Por meio de discos e programas de rádio, essa estética foi paulatinamente exportada para outros continentes e também caiu no gosto dos brasileiros cerca de duas décadas depois, quando os trios se tornaram a base de acompanhamento dos cantores que frequentavam o Beco das Garrafas, um dos berços da bossa nova, no Rio de Janeiro.

Apesar de minimalista, a formação de trio (piano, baixo e bateria) se mostra completa, tanto na distribuição das funções rítmicas quanto das tessituras melódicas. “Além de prática, o trio é uma máquina perfeita para acompanhar cantores”, define Leo. A exemplo do que ocorrera nos Estados Unidos, a necessidade dos músicos em se expressar individualmente, fugindo das amarras de meros condutores dos “crooners”, deu origem ao samba-jazz, com também com improvisos livres, porém, sobre o ritmo sincopado do samba.

Serviço

Samboré Trio
Quarta-feira (3), às 20h
Saravá Brasil Bar (rua Pandiá Calógeras, 443, Jardim Vergueiro)
Entrada gratuita

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